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15.11.1906 - 14.6.1909

Advogado, nasceu em Santa Bárbara do Mato Dentro, atual município de Santa Bárbara, Minas Gerais, em 30 de novembro de 1847. Em 1866 mudou-se para São Paulo para cursar a Faculdade de Direito, onde obteve o título de bacharel em 1870. Foi colega de Rui Barbosa, Bias Fortes, Joaquim Nabuco, Castro Alves e Rodrigues Alves, entre outros. Recebeu o grau de doutor, após defender a tese intitulada “Letra de câmbio”.

Em 1870 recusou-se a assinar o Manifesto Republicano, por acreditar que o Brasil ainda não estava preparado para uma mudança de regime. Era autodeclarado abolicionista, mas temia que o fim da escravidão gerasse danos irreparáveis aos proprietários. Nesse sentido, defendia a indenização após a abolição e a imigração como forma mais eficaz de substituição da mão de obra.

Afonso Pena ingressou no Partido Liberal em 1874. Candidatou-se a deputado provincial e, eleito, permaneceu na Assembleia Provincial entre 1874 e 1878. Logo após, elegeu-se deputado geral. Iniciou seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados ainda em 1878. Como deputado geral, destacou-se na defesa das reformas eleitorais, visando a ampliar o número de eleitores, com a diminuição das exigências de renda necessárias à qualificação prévia dos votantes.

Ocupou o cargo de ministro da Guerra em 1882, da Agricultura, Comércio e Obras Públicas em 1883-1884, e do Interior e Justiça em 1885. Graças à sua proximidade com Afonso Celso, tornou-se conselheiro de Estado em 1888. Nessa função, foi designado para compor a comissão responsável pela reformulação do Código Civil Brasileiro, trabalho interrompido pelo golpe militar de 15 de novembro de 1889 que implantou a República no Brasil.

Afonso Pena foi o fundador e o primeiro diretor da Faculdade de Direito de Minas Gerais (1892). Governou o estado de Minas Gerais (1892-1894) e presidiu o Banco da República do Brasil (1895-1898), atual Banco do Brasil. Tornou-se vice-presidente da República do governo Rodrigues Alves em substituição a Francisco Silviano de Almeida Brandão, que morreu antes de ser empossado. Por meio de eleição direta, passou a exercer a presidência da República em 15 de novembro de 1906. Faleceu no Rio de Janeiro, em 14 de junho de 1909, sem concluir seu mandato presidencial.

Entre as realizações de Afonso Pena estão o investimento na infraestrutura do país, a partir da construção de portos, de uma usina hidroelétrica e da expansão das redes férrea e telegráfica, além de obras de saneamento básico. Ele implementou a reorganização do Exército, sob a supervisão do ministro da Guerra, general Hermes da Fonseca, e disponibilizou os recursos necessários para que Cândido Rondon realizasse a ligação do Rio de Janeiro à Amazônia por fio telegráfico, em 1907.

Afonso Pena se destacou, sobretudo, por viabilizar o Convênio de Taubaté, acordo firmado no início de 1906, no último ano da gestão de Rodrigues Alves, pelos presidentes dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, na cidade de Taubaté (SP). Trata-se da primeira política de proteção ao café instituída no Brasil, por meio da participação do governo federal como avalista do empréstimo financeiro que tornou possível a compra, pelo governo federal, do excedente da produção.

Dedicou-se a estabelecer uma política de imigração, criando colônias para a produção de trigo e vinho no Sul do país. Incentivou, especialmente, a imigração japonesa para o Brasil, o que resultou na chegada de 781 pessoas daquela nacionalidade para trabalhar na cafeicultura paulista. Estima-se que, no seu mandato, cerca de cem mil colonos aportaram no Brasil.

Durante o seu período presidencial, os anarquistas criaram a Confederação Operária Brasileira (1906). Foram abertas 31 salas de exibição de filmes no país e inaugurado o Cinematógrafo Pathé, na nova avenida Central, no Rio de Janeiro.

Destinada a comemorar os cem anos da abertura dos portos, foi realizada em 1908, no Rio de Janeiro, a primeira exposição nacional da República. Dividida em quatro setores - agricultura, indústria pastoril, várias indústrias e artes liberais - a exposição visava, segundo Afonso Pena, "traçar um inventário do País", exibindo seus recursos naturais, capacidade de produção e desenvolvimento econômico. Os governos dos estados e do Distrito Federal e as associações comerciais, agrícolas e industriais participaram do evento, organizado por uma Comissão que contava com o sanitarista Oswaldo Cruz, o escultor Rodolfo Bernardelli e o engenheiro Paulo de Frontin.

O governo federal construiu pavilhões a serem usados gratuitamente pelos expositores, projetados pelos estados para a divulgação de seus produtos. Os 182 mil m² ocupados constituíram a maior superfície de exposição no Brasil até aquela data e ultrapassaram em tamanho as exposições internacionais de Londres (1851), Sidney (1879) e Melbourne (1880). Inscreveram-se 671 expositores portugueses e 11.286 de todo o Brasil, que apresentaram mais de cem mil produtos, transportados sem custos pela Estrada de Ferro Central do Brasil, pela Leopoldina Railway e pelos portos, sendo, em seguida, minuciosamente examinados e julgados por dois júris. Além dos itens exibidos - que deveriam dar a medida do progresso do país -, as próprias instalações da exposição funcionaram como uma espécie de mostruário de técnicas, novos materiais, soluções de infraestrutura e embelezamento urbano.