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31.1.1956 - 31.1.1961

Médico, nasceu em Diamantina, Minas Gerais, em 12 de setembro de 1902. Foi chefe do Gabinete Civil do estado de Minas Gerais entre 1933 e 1934. Filiou-se ao Partido Progressista (PP) daquele estado e elegeu-se deputado federal em 1935, exercendo o mandato até o fechamento do Congresso Nacional com o golpe de 1937. Nomeado prefeito de Belo Horizonte, governou a capital mineira entre 1940 e 1945. Participou da criação do Partido Social Democrático (PSD) em Minas Gerais, elegeu-se deputado federal em 1945 e, posteriormente, governador de Minas Gerais, cargo exercido entre 1951 e 1955.

Concorreu à presidência da República pela coligação PSD-PTB, tendo João Goulart como vice-presidente, e tomou posse em 31 de janeiro de 1956, após uma grave crise política desencadeada pelas disputas em torno da sucessão presidencial. A administração Kubitschek ficou associada ao Plano de Metas, sintetizado no lema “cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo”, projeto que visava ampliar a industrialização e modernizar a infraestrutura nacional.

Entre 1955 e 1961, a produção industrial brasileira cresceu de forma expressiva, alcançando cerca de 80%, com destaque para os setores siderúrgico, mecânico, elétrico, de comunicações e de equipamentos de transporte. Entre 1957 e 1961, o crescimento real da economia atingiu aproximadamente 7% ao ano. O avanço industrial foi favorecido pela existência de um amplo mercado interno, pela produção nacional de ferro e aço e pela disposição externa de investimento. O governo estimulou investimentos externos e concentrou esforços nas áreas de energia e transportes, consideradas essenciais para a expansão do parque industrial brasileiro.

A execução do Plano de Metas contou com forte planejamento estatal. O recém-criado Conselho de Desenvolvimento articulava grupos de trabalho e grupos executivos responsáveis pela elaboração de projetos de lei, decretos e iniciativas empresariais. Esses órgãos reuniam técnicos do Estado e representantes do setor privado, permitindo a coordenação entre o poder público e as empresas. A política econômica do período também foi influenciada pelos estudos da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), instituições que defendiam a industrialização como estratégia para superar a dependência econômica do país.

Os resultados obtidos no campo industrial foram acompanhados de contradições. O crescimento econômico favoreceu a concentração de capital e ampliou a presença de empresas multinacionais no Brasil, reduzindo o espaço das pequenas empresas nacionais. O aumento da produtividade decorrente do avanço tecnológico não se refletiu proporcionalmente nos salários nem nos preços. Ainda assim, o governo procurou atender parte das reivindicações dos trabalhadores por meio de reajustes salariais e de subsídios estatais ao petróleo e ao trigo.

As importações destinadas a suprir a escassez de insumos industriais contribuíram para o aumento da dependência externa da economia brasileira. O desequilíbrio financeiro e o déficit na balança de pagamentos agravaram o processo inflacionário, um dos principais problemas enfrentados pela administração Kubitschek. Em resposta a esse cenário, o ministro da Fazenda, Lucas Lopes, e o diretor do BNDE, Roberto Campos, elaboraram um plano de estabilização econômica que foi submetido ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A proposta buscava obter um empréstimo de 300 milhões de dólares dos Estados Unidos, condicionado à adoção de medidas de ajuste econômico.

Diante das exigências formuladas pelo FMI, o governo passou a enfrentar duas alternativas: manter o ritmo acelerado do Plano de Metas ou restringir o crescimento econômico para atender às demandas dos credores internacionais e dos defensores da estabilização monetária. O debate mobilizou diferentes setores políticos e intelectuais. Nacionalistas e liberais divergiram sobre os rumos da política econômica, discussão que também envolveu o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb). Em junho de 1959, Juscelino Kubitschek decidiu romper as negociações com o FMI, preservando a continuidade do programa desenvolvimentista.

No plano internacional, o governo apresentou aos Estados Unidos a proposta da Operação Pan-Americana, iniciativa que defendia a cooperação multilateral para promover o desenvolvimento econômico da América Latina com apoio norte-americano. Embora a proposta não tenha sido imediatamente adotada, seus princípios influenciaram posteriormente a criação da Aliança para o Progresso.

O governo Kubitschek também se destacou pela construção de Brasília, nova capital federal inaugurada em 21 de abril de 1960. A transferência da capital para o Planalto Central integrava o projeto de interiorização do desenvolvimento nacional e simbolizava a modernização do país. A cidade foi projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo urbanista Lúcio Costa, tornando-se referência da arquitetura moderna. Em 1987, Brasília foi tombada pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.

Com o término do mandato presidencial, Juscelino Kubitschek elegeu-se senador por Goiás, exercendo o cargo entre 1962 e 1964. Após o golpe militar de 1964, teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos. Exilou-se no exterior e retornou ao Brasil em 1967. Sua morte ocorreu em um acidente automobilístico na via Dutra, próximo à cidade de Resende, em 22 de agosto de 1976. Ao longo dos anos, surgiram suspeitas de que o acidente teria sido provocado por motivações políticas. Investigações recentes conduzidas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos, passaram a endossar a hipótese de envolvimento de agentes da repressão da ditadura militar.