28.7.1919 - 15.11.1922
Nasceu na cidade de Umbuzeiro, no estado da Paraíba, em 23 de maio de 1865. Advogado formado pela Faculdade de Direito do Recife, foi deputado à Assembleia Nacional Constituinte (1890-1891), deputado federal (1891-1893) e ministro da Justiça e Negócios Interiores (1898-1901). A partir de 1902, acumulou os cargos de procurador da República até 1905 e de ministro do Supremo Tribunal Federal até 1912. Presidiu a Junta Internacional de Jurisconsultos que analisou os projetos do Código de Direito Internacional Público e Privado e foi senador pela Paraíba (1912-1919). Com o fim da Primeira Guerra Mundial, chefiou a delegação brasileira na Conferência de Paz (1918-1919) realizada em Versalhes, na França, que tinha como objetivo acertar indenizações e decidir disputas entre os países envolvidos no conflito. Elegeu-se presidente da República, em 1919, ao derrotar o candidato de oposição Rui Barbosa. Epitácio Pessoa foi membro da Corte Permanente de Justiça Internacional de Haia (1923-1930) e, a partir de 1924, passou a acumular esse cargo com o de senador, para o qual foi novamente eleito pelo estado da Paraíba. Durante os sete anos em que esteve no tribunal na Holanda, ele participou da análise e do julgamento de diversas controvérsias territoriais e diplomáticas entre países europeus e do resto do mundo, consolidando o papel do Brasil na nascente justiça internacional. Em 1930, apoiou a candidatura oposicionista de Getúlio Vargas à presidência da República na chapa da Aliança Liberal, que tinha como vice o seu sobrinho João Pessoa, também paraibano. Recebeu convite de Getúlio Vargas, empossado em 3 de novembro de 1930, chefe do governo provisório, para ser embaixador do Brasil em Washington, o que não aceitou. Faleceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 13 de fevereiro de 1942.
Epitácio Pessoa iniciou seu mandato com um programa de grandes obras contra a seca no Nordeste e a construção de açudes, e de investimento na capital do país, preparando a infraestrutura da cidade do Rio de Janeiro para receber, em 1922, a Exposição do Centenário e a urbanização de Ipanema e da Lagoa Rodrigo de Freitas. Todavia, fortes pressões políticas e econômicas marcaram os quatro anos de seu governo.
Uma crise mundial afetou as atividades econômicas brasileiras, provocando a queda de quase 50% no preço do café, gerando déficits nas contas públicas brasileiras, uma vez que a economia dependia fortemente das exportações primárias. Pressionado pelos cafeicultores paulistas e mineiros, o presidente acabou intervindo no mercado. Para conseguir estabilizar os preços do café e garantir o lucro dos cafeicultores foi necessária a implantação de uma nova política de defesa do produto através de empréstimos junto à Inglaterra que viabilizaram a compra de estoques excedentes, emissão de moeda e uma conjuntura internacional favorável.
Greves operárias, que já vinham sendo deflagradas desde 1917, e o avanço de ideias anarquistas e socialistas foram duramente reprimidos com o fechamento de sindicatos e grande parte de seus líderes sendo presos ou deportados.
Uma severa crise institucional que conferiu o poder civil aos militares, iniciada quando nomeou dois civis para dirigir as pastas da Guerra e da Marinha, respectivamente Pandiá Calógeras e Raul Soares de Moura, atingiu proporções maiores durante a disputa pela sua sucessão, que opôs a candidatura situacionista do mineiro Artur Bernardes, apoiado por Minas Gerais e São Paulo, à do fluminense Nilo Peçanha, lançada pela Reação Republicana, chapa de oposição formada pelas oligarquias do Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro e que contou com o apoio de importantes setores militares.
A publicação, pelo jornal Correio da Manhã, de cartas atribuídas a Artur Bernardes com referências depreciativas às Forças Armadas e ao presidente do Clube Militar, o ex-presidente Hermes da Fonseca, bem como a utilização de tropas do Exército por Epitácio Pessoa para intervir nas eleições pernambucanas, contribuíram ainda mais para exaltar os ânimos entre os militares, principalmente entre os jovens oficiais, os tenentes. A tensão escalou quando Epitácio Pessoa ordenou o fechamento do Clube Militar e a prisão de Hermes da Fonseca em julho de 1922. A resposta veio poucos dias depois, em 5 de julho, com a Revolta do Forte de Copacabana liderada pelo tenente-coronel Euclides Hermes da Fonseca, filho do marechal Hermes da Fonseca. A marcha também conhecida como os “18 do Forte” vitimou 16 militares acompanhados de dois civis que, partindo do forte, atravessaram a avenida Atlântica para enfrentar as tropas do governo. O saldo foi de apenas dois sobreviventes: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes.
Embora o plano fosse uma sublevação geral, o movimento não recebeu o apoio esperado de outras unidades militares, deixando o forte isolado contra as tropas legalistas. Esse episódio marcou o início do longo movimento de rebelião que atingiria o país, denominado tenentismo.