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24.8.1954 - 8.11.1955

Advogado, nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, em 3 de fevereiro de 1899. Foi fundador do Jornal do Norte (1921), editor de O Correio de Bezerros (1923) e diretor do jornal A Noite (1925), tendo escrito, neste último, artigos em que pedia a soldados, cabos, sargentos e jovens oficiais que se recusassem a combater a chamada "Coluna Prestes", o que resultou em sua condenação a 3 meses de prisão. Candidatou-se à Câmara Municipal de Natal em 1923 e 1928, mas fracassou. Por apoiar e liderar a oposição, sofreu represálias do governador Juvenal Lamartine de Faria, fugindo para Recife e, em 1929, para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como redator do jornal A Manhã.

Ingressou na Aliança Liberal, coligação formada por oposicionistas de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, que indicou Getúlio Vargas como candidato à presidência. Com a vitória do situacionista Júlio Prestes, Café Filho participou do movimento armado que contestou o resultado eleitoral de 1930, assumindo o comando do grupo que ocupou a cidade de Natal. Quando da posse de Getúlio como presidente do governo provisório, atuava como chefe de polícia da capital do Rio Grande do Norte, mas teve que deixar o cargo, ao ser preso temporariamente, até retomá-lo. Em 1933, esteve entre os fundadores do Partido Social Nacionalista do Rio Grande do Norte (PSN). Elegeu-se deputado federal (1935-1937) e destacou-se pela defesa das liberdades constitucionais. Ameaçado de prisão, asilou-se na Argentina, retornando ao Brasil em 1938. Fundou, com Ademar de Barros, o Partido Republicano Progressista (PRP), pelo qual se elegeu deputado federal (1946-1950) e participou ativamente na elaboração de uma nova Constituição. Após o lançamento da candidatura de Getúlio Vargas, Café Filho foi escolhido pelo PSP para compor a chapa como candidato a vice-presidente, apesar da resistência de setores católicos e das reservas do próprio Vargas ao seu nome. Como vice-presidente de Getúlio, Café Filho aproximou-se de setores liberais e, durante a crise de 1954, tentou negociar uma saída política baseada na renúncia conjunta dele e de Vargas. Com o agravamento das pressões militares e oposicionistas após o atentado da rua Tonelero, afastou-se politicamente do presidente e mostrou-se disposto a assumir o governo. Tomou posse após o suicídio de Vargas em 24 de agosto de 1954.

Em sua gestão escolheu figuras alinhadas à UDN e líderes da conspiração contra o ex-presidente. Teve como ministro da Fazenda Eugênio Gudin, defensor de uma política econômica mais ortodoxa, que buscou estabilizar a economia e combater a inflação. O ministro adotou como principais medidas a contenção do crédito e o corte das despesas públicas, procurando, assim, reduzir o déficit público, causa, em sua avaliação, do processo inflacionário. Durante o governo Café Filho, instituiu-se o imposto único sobre a energia elétrica, gerando o Fundo Federal de Eletrificação, e o imposto na fonte sobre a renda do trabalho assalariado. Destacaram-se, ainda, em sua administração a criação da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, a inauguração, em janeiro de 1955, da usina hidrelétrica de Paulo Afonso e o incentivo à entrada de capitais estrangeiros no país, que repercutiria no processo de industrialização que se seguiu.

Durante a sucessão presidencial de 1955, Café Filho tentou articular uma candidatura de “união nacional” apoiada pelas Forças Armadas para barrar a chapa Juscelino Kubitschek-João Goulart. Nesse contexto, negociou o chamado Acordo Jânio-Café, aproximando-se de Jânio Quadros e da candidatura de Juarez Távora. Apesar da crescente pressão golpista de setores da UDN e de militares contrários à posse dos eleitos, Café Filho declarou-se defensor da legalidade e garantiu a realização das eleições de outubro de 1955, vencidas por Juscelino e Goulart. Contudo, após adoecer em novembro e ser substituído interinamente por Carlos Luz, acabou afastado da presidência pelo Congresso, sob acusação de tolerar articulações contra a posse dos candidatos eleitos, em meio à crise político-militar que culminou no movimento liderado pelo general Henrique Teixeira Lott em 11 de novembro de 1955. Em 1961, foi nomeado ministro do Tribunal de Contas do Estado da Guanabara (1961-1970) pelo governador Carlos Lacerda. Faleceu no Rio de Janeiro em 20 de fevereiro de 1970.