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31.08.1969 – 30.10.1969

Em 30 de agosto de 1969, Artur da Costa e Silva foi afastado da presidência da República, em virtude de uma trombose cerebral. Como o Alto Comando das Forças Armadas temia a reabertura do Congresso e a suspensão dos atos institucionais em vigor, foi editado em 31 de agosto o Ato Institucional n. 12 (AI-12), que impedia a posse do vice-presidente Pedro Aleixo, sucessor natural de Costa e Silva, e dava posse à Junta militar composta pelos ministros Augusto Hamann Rademaker Grünewald, da Marinha, Aurélio de Lira Tavares, do Exército, e Márcio de Sousa e Melo, da Aeronáutica.

O Congresso manteve-se fechado e a situação política foi agravada com o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick por militantes das organizações clandestinas Ação Libertadora Nacional (ALN) e Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), no Rio de Janeiro, em 4 de setembro de 1969. As condições impostas pelos sequestradores para libertar o embaixador foram aceitas e 15 presos políticos foram libertados e conduzidos para o México. O governo intensificou as medidas repressivas e editou o AI-13 e o AI-14. O primeiro ato estabeleceu a pena de banimento em caso de ameaça à segurança do Estado, e o segundo instituiu a pena de morte e a prisão perpétua para os casos de guerra revolucionária ou subversiva.

Em outubro, a Junta editou o AI-16, que declarava extinto o mandato do presidente Costa e Silva e de seu vice, Pedro Aleixo, estabelecendo, ainda, um calendário para a nova eleição presidencial. O AI-17 transferiu para a reserva os militares considerados ameaçadores à coesão das forças armadas, o que foi interpretado como um golpe naqueles que resistiam à indicação do general Emílio Garrastazu Médici à presidência da República. A Junta editou também a emenda constitucional n. 1, que incorporava à Carta de 1967 o AI-5 e os atos que lhe sucederam, organizando, assim, todo o aparato repressivo e punitivo do Estado, e acirrando o embate entre o governo e os movimentos de esquerda. Em 22 de outubro, o Congresso Nacional foi reaberto para eleger os novos presidente e vice-presidente, Garrastazu Médici e Rademaker Grünewald, respectivamente.

Os participantes da Junta, assim como outros militares envolvidos no golpe de 1964, apresentam trajetória de engajamento e de progressão na carreira do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Os ministros, em específico, representando as três forças da corporação, integravam um grupo de militares que defendiam, entre outras coisas, o aprofundamento de regime ditatorial. Em outras palavras, pensavam o regime militar não como uma transição para uma ordem democrática, ainda que conservadora, mas como um projeto autoritário permanente para o país. Essa coalização dentro das forças militares, recebeu o nome de “linha dura”, contando entre suas fileiras o antigo presidente, Artur da Costa e Silva, e o seu sucessor, Emílio Garrastazu Médici.

Augusto Hamann Rademaker Grünewald, almirante. Militar, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 11 de maio de 1905. Participou do movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart. Integrou, ao lado do general Costa e Silva e do brigadeiro Correia de Melo, a junta militar autodenominada Comando Supremo da Revolução que, juntamente com o presidente interino Ranieri Mazzili, governou o país até a posse de Castelo Branco. Foi ministro da Marinha e da Viação e Obras Públicas, nos primeiros dias do governo de Castelo Branco. Com a posse de Costa e Silva na presidência da República, reassumiu o cargo de ministro da Marinha (1967-1969). Por meio de eleição indireta, em 30 de outubro de 1969, passou a exercer o cargo de vice-presidente da República no governo de Emílio Garrastazu Médici. Faleceu no Rio de Janeiro em 13 de setembro de 1985.

Márcio de Sousa e Melo, brigadeiro. Militar, nasceu na cidade de Florianópolis, estado de Santa Catarina, em 26 de maio de 1906. Foi adido militar em Buenos Aires e em Montevidéu. Nomeado ministro da Aeronáutica em 1964, permaneceu apenas 22 dias no cargo, exonerando-se por divergências com o presidente Castelo Branco. Foi novamente ministro da Aeronáutica durante os governos Costa e Silva e Garrastazu Médici, exonerando-se do cargo em 26 de novembro de 1971. Faleceu no Rio de Janeiro, em 31 de janeiro de 1991.

Aurélio de Lira Tavares, general. Militar, nasceu na cidade de Paraíba, atual João Pessoa, no estado da Paraíba, em 7 de novembro de 1905. Serviu no Estado-Maior do Exército (1943), tendo sido encarregado de organizar a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Durante o governo Castelo Branco, foi comandante do IV Exército; em 1966, passou a comandar a Escola Superior de Guerra (ESG) e, durante o governo Costa e Silva, assumiu o Ministério do Exército (1967-1969). Em abril de 1970, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras e, em junho, foi nomeado embaixador do Brasil na França, cargo que ocupou até dezembro de 1974. Faleceu em 18 de novembro de 1998.