.

1.1.2019|1.1.2023

Nascido em 21 de março de 1955, em Glicério (SP), Jair Bolsonaro ingressou na carreira militar em 1973, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, e formou-se em 1977 pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), na arma de Artilharia. Posteriormente, tornou-se paraquedista do Exército, incorporando o lema “Brasil acima de tudo”, que décadas mais tarde seria retomado em sua campanha presidencial de 2018, acrescido de “Deus acima de todos”.

Ainda como capitão, em 1986, publicou na revista Veja o artigo “O salário está baixo”, no qual criticava os vencimentos militares, o que lhe rendeu prisão disciplinar. No ano seguinte, a mesma revista divulgou acusações de que ele e outro oficial planejavam atentados com explosivos no Rio de Janeiro. Submetido ao Conselho de Justificação do Exército, foi inicialmente considerado culpado, mas acabou absolvido pelo Superior Tribunal Militar por falta de provas conclusivas.

Em 1988, iniciou sua trajetória política ao se eleger vereador no Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão, passando à reserva como capitão. Dois anos depois, elegeu-se deputado federal, cargo que ocuparia por sete mandatos consecutivos, ao longo de 28 anos. Durante esse período, transitou por diferentes legendas, como PTB, PFL, PP, PSC e PSL. Sua atuação legislativa foi bastante limitada, tendo como exemplos de emendas aprovadas a isenção de IPI para produtos de informática (1996) e a autorização do uso da fosfoetanolamina sintética (2016), posteriormente considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal por ausência de validação científica.

Na Câmara dos Deputados, destacou-se por posições conservadoras e por reiteradas manifestações favoráveis à ditadura militar (1964–1985). Durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi, órgão de repressão da ditadura militar associado a práticas de tortura, conforme apontado pela Comissão Nacional da Verdade.

A partir de 2016, lançou-se como pré-candidato à Presidência da República, apostando na polarização política e no alinhamento com setores conservadores e de extrema direita. Defendeu propostas como a redução do papel do Estado, a ampliação do acesso a armas de fogo, o endurecimento das políticas penais, a oposição a pautas de gênero nas escolas e a revisão de compromissos ambientais. Durante a campanha de 2018, foi vítima de um atentado a faca em Juiz de Fora (MG), o que acabou gerando seu afastamento de debates, e intensificou sua atuação nas redes sociais. No segundo turno, venceu Fernando Haddad com 55,13% dos votos, tomando posse em 1º de janeiro de 2019.

Seu governo iniciou com a reestruturação administrativa, incluindo a redução do número de ministérios. Como exemplo, a extinção do Ministério da Cultura, incorporado ao Ministério da Cidadania. A Funai – Fundação Nacional do Índio - foi transferida para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, perdendo atribuições sobre demarcação de terras indígenas, transferidas para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Na área de segurança, promoveu a flexibilização do acesso a armas para caçadores, atiradores esportivos e colecionadores (CACs), ampliando a possibilidade de posse e aquisição de armamentos. No campo religioso, estabeleceu estreita relação com lideranças evangélicas, que compuseram importante base de apoio político, inclusive com a nomeação de representantes para cargos no governo e a manutenção de benefícios fiscais a templos religiosos.

A pandemia de covid-19 marcou profundamente o seu mandato. Desde o início, Bolsonaro minimizou a gravidade da doença, criticou medidas de isolamento social e defendeu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina. O Ministério da Saúde enfrentou instabilidade, com sucessivas trocas de ministros: quatro ministros ocuparam a pasta. A condução da crise foi marcada por atrasos na aquisição de vacinas e por episódios críticos, como a falta de oxigênio em Manaus. Ao final de 2022, o Brasil registrava cerca de 700 mil mortes. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid apontou falhas na gestão e recomendou o indiciamento do presidente.

Na economia, sob a liderança do ministro Paulo Guedes, buscou-se implementar uma agenda liberal, com foco na redução do Estado, privatizações e ajuste fiscal. A pandemia, no entanto, levou à ampliação dos gastos públicos e ao aumento da dívida. O governo obteve algumas vitórias importantes em um Congresso de maioria governista: a aprovação da reforma da Previdência (2019) e a PEC Kamikaze, que ampliou benefícios sociais em ano eleitoral (2022). Houve ainda a privatização da Eletrobras e a implementação do PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.

Na educação, o período foi marcado por cortes orçamentários, instabilidade ministerial e forte influência de pautas ideológicas, incluindo a defesa de escolas cívico-militares e críticas a abordagens de gênero. A pandemia agravou desigualdades educacionais e impactou a participação no Enem.

No campo ambiental, o governo enfrentou críticas nacionais e internacionais devido ao aumento do desmatamento na Amazônia e ao enfraquecimento de órgãos de fiscalização. A gestão do ministro Ricardo Salles foi alvo de controvérsias e investigações, culminando em sua saída do cargo em 2021. Episódios como o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips evidenciaram tensões e vulnerabilidades na região amazônica.

Na política externa, adotou alinhamento ideológico com os Estados Unidos, especialmente durante a presidência de Donald Trump, e postura crítica ao multilateralismo, sob a condução do chanceler Ernesto Araújo.

Em 2022, Bolsonaro disputou a reeleição, sendo derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva em uma disputa acirrada. Após o resultado, questionou a confiabilidade do sistema eleitoral, enquanto apoiadores realizaram protestos e bloqueios. Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Nos anos seguintes, tornou-se alvo de investigações relacionadas a tentativas de ruptura institucional. Em 2023, foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral. Posteriormente, foi indiciado e denunciado por tentativa de golpe de Estado. Em 2025, acabou condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos de prisão, acusado de envolvimento em uma trama para subverter a ordem democrática. Sua prisão preventiva foi decretada em novembro daquele ano, pouco antes da sua condenação.