2.10.1992 – 1.1.1995
Engenheiro, nasceu em 28 de junho de 1930, a bordo de um navio que fazia a rota entre Salvador e o Rio de Janeiro, sendo registrado na capital baiana. Sua trajetória política teve início no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, pelo qual foi eleito prefeito de Juiz de Fora, em Minas Gerais, exercendo dois mandatos entre 1967 e 1971 e entre 1973 e 1974.
Em 1974, elegeu-se senador pelo MDB, sendo reeleito em 1982 pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor da legenda anterior. Contudo, divergências internas, especialmente relacionadas ao apoio do partido à candidatura de Newton Cardoso ao governo mineiro, levaram Itamar a deixar o PMDB em 1986 e filiar-se ao Partido Liberal (PL). Nesse período, tentou o governo de Minas Gerais, mas não obteve êxito.
A projeção nacional de Itamar Franco consolidou-se em 1989, quando foi eleito vice-presidente da República na chapa de Fernando Collor de Mello, pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN). O pleito marcou o retorno do voto direto para presidente após o regime militar. Com o afastamento de Collor em virtude de processo de impeachment, Itamar assumiu a Presidência da República interinamente em 2 de outubro de 1992, sendo efetivado no cargo em 29 de dezembro do mesmo ano, após a renúncia do titular.
Ao assumir a presidência, Itamar encontrou um cenário de instabilidade econômica, marcado pela hiperinflação e pela desconfiança institucional. Para enfrentar esses desafios, buscou formar um governo de ampla base política, reunindo diferentes partidos em torno de um pacto de governabilidade. Em janeiro de 1993, promoveu um encontro com líderes de 19 partidos, com o objetivo de construir consenso em torno das medidas necessárias para estabilizar a economia.
Entre as primeiras ações de seu governo, destacou-se a criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), aprovado pelo Senado Federal em março de 1993, com alíquota de 0,25% sobre operações bancárias. Ainda em 1993, cumprindo determinação da Constituição de 1988, foi realizado um plebiscito nacional para definir a forma e o sistema de governo no Brasil. A população optou pela manutenção da República e do presidencialismo.
Um dos momentos mais decisivos de sua gestão ocorreu em maio de 1993, quando nomeou Fernando Henrique Cardoso, então ministro das Relações Exteriores, para o Ministério da Fazenda. Sob sua liderança, foi elaborado o Plano Real, um conjunto de medidas voltadas ao controle da inflação e à reorganização da economia brasileira. O plano previa reformas estruturais do Estado, incluindo a redução dos gastos públicos e o avanço das privatizações.
Como parte desse processo, em julho de 1993 foi promovido o corte de três zeros da moeda, que passou a se chamar Cruzeiro Real. Em dezembro do mesmo ano, foi lançado o programa de estabilização que prepararia a introdução de uma nova moeda. Em março de 1994, entrou em vigor a Unidade Real de Valor (URV), funcionando como um indexador que ajudou a alinhar preços e salários. Ainda nesse período, o governo reduziu as tarifas de importação e aprovou o Fundo Social de Emergência (FSE), que permitia maior flexibilidade no uso de recursos públicos.
Em julho de 1994, o real foi introduzido como moeda oficial, inicialmente valorizado em relação ao dólar. O plano promoveu a queda da inflação, e, no primeiro trimestre de 1994, a economia apresentou sinais de recuperação, com aumento do consumo e crescimento da atividade econômica, embora ainda acompanhada por taxas de juros elevadas.
O governo Itamar também deu continuidade ao programa de privatizações, incluindo empresas importantes como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Açominas e a Cosipa, além de subsidiárias da Petrobras. O sucesso do Plano Real teve grande influência no cenário político, contribuindo para a eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República em 1994, no primeiro turno, com ampla vantagem.
Durante sua gestão, iniciaram-se os esforços para a criação da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, voltada à reparação das vítimas da ditadura militar. No campo da segurança pública, episódios como as chacinas da Candelária e de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, provocaram intenso debate nacional sobre violência urbana e direitos humanos. Também houve denúncias de violência contra povos indígenas, como o assassinato de membros da comunidade Yanomami em Roraima.
Após deixar a Presidência, Itamar Franco continuou atuando na vida pública. Foi nomeado embaixador do Brasil em Portugal (1995–1996) e, posteriormente, junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington (1996–1998). Em 1998, foi eleito governador de Minas Gerais pelo PMDB, exercendo mandato entre 1999 e 2003. Mais tarde, voltou à diplomacia como embaixador na Itália (2003–2005).
Em 2009, filiou-se ao Partido Popular Socialista (PPS) e, por essa legenda, foi eleito senador por Minas Gerais para o período de 2011 a 2019. Faleceu em 2 de julho de 2011, em São Paulo, antes de concluir o mandato.