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1.1.2003|1.1.2011
1.1.2023

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, Pernambuco, e migrou ainda criança com a família para o estado de São Paulo, estabelecendo-se inicialmente em Santos e depois na capital. De origem humilde, ingressou, aos 14 anos, na Fábrica de Parafusos Marte, ao mesmo tempo em que se formava no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), onde obteve o diploma de torneiro mecânico. Sua trajetória profissional seguiu no setor metalúrgico, passando por empresas como a Metalúrgica Independência e, posteriormente, a Metalúrgica Villares, em São Bernardo do Campo, região que se tornaria central em sua atuação sindical e política.

A partir do final da década de 1960, Lula iniciou sua participação no movimento sindical, ganhando projeção ao se tornar presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1975. Durante a ditadura militar, destacou-se na liderança de mobilizações por melhores salários e condições de trabalho, organizando greves de grande proporção no final da década de 1970. Em 1979, liderou uma paralisação que envolveu cerca de 150 mil trabalhadores, o que resultou na repressão estatal, intervenção do Ministério do Trabalho no sindicato e na prisão de Lula e de outros dirigentes com base na Lei de Segurança Nacional.

Com a abertura política no Brasil, Lula participou, em 1980, da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), ao lado de sindicalistas, intelectuais e lideranças sociais. O partido buscava representar os interesses das classes trabalhadoras e se posicionava como alternativa aos partidos tradicionais. Em 1982, Lula concorreu ao governo de São Paulo, ficando em quarto lugar, mas, ampliou sua visibilidade política. Na década de 1980, teve papel relevante na campanha pelas Diretas Já e na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983. Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte por São Paulo, sendo o mais votado do país.

Sua projeção nacional levou-o a disputar a presidência da República em 1989, na primeira eleição direta após a ditadura. Candidato pela Frente Brasil Popular, foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor de Mello. Voltou a concorrer em 1994 e 1998, sendo derrotado por Fernando Henrique Cardoso em ambas as ocasiões. Em 2002, Lula foi eleito presidente com cerca de 53 milhões de votos, em uma das maiores votações da história brasileira. Sua posse, em janeiro de 2003, teve grande participação popular, simbolizando a ascensão de um líder oriundo das classes trabalhadoras ao mais alto cargo do país.

No início de seu primeiro mandato, o Brasil enfrentava dificuldades econômicas, como desemprego elevado e baixo crescimento. O governo adotou uma política macroeconômica voltada à estabilidade, com controle da inflação, manutenção de superávits primários e taxas de juros elevadas, o que contribuiu para a confiança dos investidores e a redução do chamado “risco país”. Beneficiado também por um cenário internacional favorável, o país registrou crescimento econômico e aumento expressivo do superávit comercial entre 2002 e 2005.

Paralelamente, o governo implementou uma ampla agenda social. O programa Fome Zero deu origem ao Bolsa Família, que estabeleceu a transferência direta de renda para famílias em situação de pobreza, articulando-se a outras iniciativas como Luz para Todos, incentivo à agricultura familiar e alfabetização. Na educação, destacou-se a criação do ProUni, que ampliou o acesso ao ensino superior por meio de bolsas em instituições privadas. Essas políticas contribuíram para a redução da pobreza e da desigualdade social.

Apesar dos avanços, o governo enfrentou crises políticas relevantes, especialmente a partir de denúncias de corrupção envolvendo compra de votos e financiamento irregular de campanhas que resultaram em investigações parlamentares, como as CPIs dos Correios e do Mensalão. No campo da política externa, o Brasil buscou ampliar sua inserção internacional, investindo em alianças com países do Sul Global e diversificando parcerias comerciais, embora tenha enfrentado derrotas em candidaturas a cargos em organismos internacionais.

Reeleito em 2006 com cerca de 58 milhões de votos, Lula iniciou seu segundo mandato mantendo a política macroeconômica anterior, mas ampliando investimentos e programas sociais. O período foi marcado por crescimento econômico, impulsionado pelo cenário internacional favorável e pelo aumento das exportações. Em 2007, foi lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltado à expansão da infraestrutura em áreas como energia, transporte, habitação e saneamento. Embora tenha elevado o nível de investimento, o programa enfrentou dificuldades de execução, como atrasos e problemas de gestão.

Durante seu governo, o Brasil acumulou reservas internacionais, reduziu o desemprego e ampliou o mercado interno, inclusive durante a crise financeira global de 2008. Programas de transferência de renda, valorização do salário mínimo e expansão do crédito contribuíram para o aumento do consumo e para a melhoria das condições de vida. Estima-se que milhões de brasileiros tenham saído da pobreza e ingressado na chamada classe média nesse período.

Na área social, houve avanços também na saúde, com a expansão das Farmácias Populares e do Samu, e redução de indicadores como mortalidade infantil. Na educação, foram ampliadas as universidades federais, criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e expandido o acesso ao ensino superior. Ainda assim, persistiram desafios estruturais, como a qualidade do ensino básico e a formação profissional.

A política externa no segundo mandato reforçou a atuação do Brasil em fóruns multilaterais e alianças como o grupo dos países emergentes (Bric), além de ampliar relações com África, Ásia e América Latina. Houve críticas a algumas posições diplomáticas, especialmente em relação a países com regimes contestados. Internamente, questões como a carga tributária elevada e o déficit previdenciário continuaram sem solução estrutural.

Ao final de seu segundo mandato, em 2010, Lula deixou a presidência com altos índices de popularidade, associados ao crescimento econômico e à redução das desigualdades sociais. Apoiou a eleição de Dilma Rousseff como sua sucessora. Após deixar o cargo, passou a atuar em atividades internacionais e no instituto que leva seu nome, além de enfrentar um câncer de laringe, do qual se recuperou.

A partir de 2014, tornou-se alvo da Operação Lava Jato, sendo acusado e, posteriormente, condenado em processos relacionados à corrupção. Em 2018, foi preso e ficou impedido de concorrer às eleições presidenciais daquele ano. Sua prisão gerou forte polarização política e repercussão internacional. Em 2019, foi libertado e, em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações, reconhecendo a incompetência da vara que o julgou e a parcialidade do juiz responsável, restituindo seus direitos políticos.

Com a reabilitação, Lula voltou à disputa eleitoral em 2022, formando uma ampla coalizão política. Foi eleito presidente em segundo turno, com mais de 60 milhões de votos, tornando-se o primeiro brasileiro a exercer três mandatos presidenciais. Sua vitória foi interpretada por seus apoiadores como um marco na defesa da democracia. Em janeiro de 2023, tomou posse novamente como presidente, em uma cerimônia simbólica que reforçou a centralidade das políticas sociais em sua trajetória política.