.

01.1.2011- 31.8.2016

Nascida em Belo Horizonte, em 1947, Dilma iniciou sua militância política ainda jovem, durante o regime militar instaurado após o Golpe de 1964. Aos 16 anos, passou a integrar organizações de esquerda que se opunham à ditadura, como a Vanguarda Popular Revolucionária (VAR-Palmares). Em 1969, foi presa em São Paulo pela Operação Bandeirante (Oban) e submetida à tortura, permanecendo encarcerada até 1972, no presídio Tiradentes. Após sua libertação, mudou-se para Porto Alegre, onde retomou os estudos em economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Com o processo de abertura política no final da década de 1970, Dilma engajou-se na campanha pela anistia e participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Rio Grande do Sul. Atuou na assessoria parlamentar do partido e, posteriormente, assumiu cargos na administração municipal de Porto Alegre, incluindo o de secretária da Fazenda. Também ocupou funções importantes em nível estadual, como secretária de Minas, Energia e Comunicações, tanto no governo de Alceu Collares quanto no de Olívio Dutra.

Em 2000, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), consolidando sua trajetória na política institucional. Participou da equipe de transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, assumindo, em 2003, o Ministério de Minas e Energia. Nesse cargo, promoveu mudanças no setor elétrico e criou o programa Luz para Todos. Em 2005, tornou-se ministra-chefe da Casa Civil, sendo responsável pela coordenação de programas estratégicos, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa Minha Vida.

Em 2010, Dilma foi lançada como candidata à Presidência da República pela coligação governista, tendo como vice Michel Temer. Venceu o segundo turno com ampla votação e tornou-se a primeira mulher a presidir o Brasil. Em seu discurso de posse, destacou como prioridades a erradicação da pobreza extrema, a ampliação de oportunidades e melhorias em áreas como educação, saúde e segurança pública. Seu início de mandato foi marcado por crescimento econômico impulsionado pelo consumo interno.

Logo no primeiro ano, Dilma promoveu a demissão de vários ministros envolvidos em denúncias de corrupção, ação que ficou conhecida como “faxina ética” e elevou sua popularidade. Também lançou o programa Brasil Sem Miséria, com o objetivo de retirar milhões de brasileiros da extrema pobreza. No campo internacional, destacou-se como a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU e ao manter relações diplomáticas com diversas regiões do mundo.

Na educação, ampliou políticas como ProUni e Fies, além de criar o Pronatec. Em 2012, sancionou a lei de cotas nas universidades federais e a Lei de Acesso à Informação, reforçando a transparência pública. No entanto, ao longo do tempo, passou a enfrentar dificuldades crescentes no Congresso e um cenário econômico menos favorável. O crescimento do PIB desacelerou significativamente após 2010, culminando em déficit fiscal em 2014.

As manifestações de junho de 2013 marcaram um ponto de inflexão em seu governo, com protestos inicialmente voltados ao aumento das tarifas de transporte, que rapidamente se ampliaram para críticas mais gerais ao sistema político, à corrupção e aos gastos públicos. No mesmo período, vieram à tona denúncias de espionagem contra o governo brasileiro pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

Apesar das tensões, o governo implementou programas sociais relevantes, como o Mais Médicos, que ampliou o acesso à saúde em regiões vulneráveis. Também investiu em mobilidade urbana, inclusão digital e habitação, além de destinar parte significativa dos royalties do petróleo às áreas de educação e saúde. Em 2014, o Brasil sediou a Copa do Mundo, evento que, embora criticado pelos custos, ocorreu sem grandes incidentes.

Naquele mesmo ano, Dilma foi reeleita em uma disputa acirrada contra Aécio Neves. Pouco depois, foi divulgado o relatório da Comissão Nacional da Verdade, que investigou violações de direitos humanos durante períodos autoritários, tema com forte ligação pessoal à trajetória da presidenta.

Seu segundo mandato, iniciado em 2015, foi marcado por uma grave crise econômica e política. A inflação aumentou, o PIB caiu e o governo enfrentou dificuldades para aprovar medidas no Congresso. A nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda indicou uma tentativa de ajuste fiscal, que resultou em medidas impopulares. Paralelamente, a Operação Lava Jato aprofundou a crise política, atingindo figuras importantes do governo e aliados.

O rompimento com Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, foi decisivo para o avanço do processo de impeachment. Em dezembro de 2015, Cunha aceitou o pedido com base nas chamadas “pedaladas fiscais”. A relação com o vice-presidente Michel Temer também se deteriorou, culminando na saída do PMDB da base governista.

Em meio à baixa popularidade e grandes manifestações de rua, a Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment em abril de 2016 e Dilma foi afastada temporariamente.

No julgamento final, em agosto, Dilma compareceu ao Senado, afirmou ser vítima de um golpe e negou ter cometido crimes. Em 31 de agosto de 2016, o Senado aprovou sua destituição, mas manteve seus direitos políticos. Posteriormente, uma liminar ao STF foi negada por Teori Zavascki. Em 2023, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região inocentou-a das pedaladas fiscais, o que reforça o discurso de que o impeachment foi, em realidade, um golpe parlamentar contra o seu governo, em um grande acordo nacional para estancar a operação Lava Jato, como confirmam os diálogos vazados com o empresário Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, em que o senador Romero Jucá diz: “É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo. Com tudo, aí parava tudo”. Naquele ano, Dilma assumiu a presidência do Banco do Brics.