.

15.11.1918 - 28.7.1919

Advogado, nasceu na cidade de Cristina, estado de Minas Gerais, em 7 de novembro de 1868. Era filho de Antônio Moreira da Costa, fazendeiro e membro da Guarda Nacional, e de Maria Cândida Ribeiro. Iniciou seus estudos em Pouso Alegre (MG), nos colégios Santa Rita e Mendonça, fez a preparação para o ensino superior no Seminário de Mariana e no Colégio Joaquim Carlos (SP). Em 1886, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo onde teve atuação destacada no movimento republicano. Formado em ciências jurídicas e sociais, voltou a Minas Gerais, onde foi promotor público e juiz municipal em Santa Rita do Sapucaí (1891) e promotor público em Pouso Alegre (1893). Foi deputado provincial e estadual em Minas Gerais (1894-1898 e 1898-1902), secretário do Interior de Minas Gerais (1902-1906 e 1910-1914), deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro (1909-1910), presidente de Minas Gerais (1914-1918), senador (1918-1920). Elegeu-se vice-presidente da República, em 1918, na chapa de Rodrigues Alves. Com a doença e falecimento do presidente eleito, que não chegou a ser empossado, Delfim Moreira assumiu interinamente a presidência da República. Faleceu na cidade de Santa Rita do Sapucaí, estado de Minas Gerais, em 1º de julho de 1920.

Delfim Moreira, vice-presidente de Rodrigues Alves, governou provisoriamente o país, visto que a Constituição brasileira previa novas eleições em caso de impedimento do presidente antes de completados dois anos de mandato. Rodrigues Alves nem chegou a tomar posse, pois já estava acometido pela “gripe espanhola”, vindo a falecer no dia 16 de janeiro de 1919. O próprio Delfim Moreira também não dispunha de boas condições de saúde e seu curto mandato ficou conhecido como “regência republicana”, uma vez que se destacava no governo o seu ministro da Viação e Obras Públicas, Afrânio de Melo Franco. Na condição de vice-presidente, assumiu a Presidência em 15 de novembro de 1918, permanecendo no cargo até 28 de julho de 1919, quando então foram convocadas novas eleições, tendo saído vitorioso do pleito Epitácio Pessoa.

Três dias após o novo governo assumir o comando do país, uma greve geral atingiu a capital e a cidade de Niterói. O presidente determinou o fechamento dos sindicatos no Rio de Janeiro, em 22 de novembro. Em 21 de junho de 1919, uma parte dos anarquistas fundou o Partido Comunista do Brasil. Quatro meses depois, o governo expulsou do país cerca de cem deles, a maioria estrangeiros, que atuavam no movimento operário das cidades de São Paulo, Santos, Rio de Janeiro e Niterói, em função da descoberta de um suposto plano com objetivo de derrubar o governo.

Ao longo de sua breve passagem pela presidência da República, com pouco tempo e poucos recursos, Delfim Moreira concentrou suas ações na capital federal. Estabeleceu parceria com o então prefeito do Rio de Janeiro, Paulo de Frontin, para a realização de importantes obras públicas, que incluíram a abertura de novas avenidas, a melhoria no sistema de abastecimento de água e a construção de estradas que ligavam o Rio a outras cidades brasileiras.

Entre suas realizações ainda podem ser destacados os investimentos no Exército, com a construção de cinco novos alojamentos para as escolas militares e a tentativa de aumentar o efetivo, fazendo cumprir a lei do sorteio militar obrigatório, que encontrou, porém, muita resistência por parte dos sorteados. No que se refere às relações exteriores, como um dos resultados da guerra, o Brasil passou a fazer parte do conselho executivo da então criada Liga das Nações. O país também recebeu armamentos da Inglaterra destinados à sua Marinha de Guerra. Ao fazer-se representar na Conferência de Paz em Paris, enviou uma delegação, presidida pelo senador paraibano Epitácio Pessoa, da qual este retornaria já indicado candidato à sucessão presidencial que se aproximava.