15.11.1922 - 15.11.1926
Advogado, nasceu na cidade de Viçosa, estado de Minas Gerais, em 8 de agosto de 1875. Fez seus primeiros estudos em Viçosa e no tradicional Colégio do Caraça, também em Minas Gerais. Dificuldades financeiras de sua família o levaram a abandonar os estudos, o que o obrigou a trabalhar em várias empresas mineiras. Retomou seus estudos em 1894 e concluiu o curso de Ciências Jurídicas e Sociais no Instituto de Ciências e Letras de São Paulo em dezembro de 1900. Retornou a Viçosa, onde abriu escritório de advocacia. Durante dois anos e meio Bernardes exerceu a advocacia, viajando constantemente pelas comarcas vizinhas. Começou também a colaborar no semanário Cidade de Viçosa, do fazendeiro, industrial e senador da República Carlos Vaz de Melo.
Cumpriu dois mandatos como deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro. O primeiro teve início em 1909, sendo interrompido em setembro de 1910 para que assumisse a Secretaria de Finanças do governo de Minas. O segundo mandato transcorreu de 1915 a 1917. Bernardes foi presidente de Minas Gerais de 1918 a 1922, marcando o início da eliminação da velha direção política de Minas. Sua administração privilegiou, como ele já anunciara em sua plataforma, a Zona da Mata. Promoveu a garantia de preços e a valorização do café e reduziu o imposto de exportação não apenas sobre o produto, mas também, os cereais e o gado, a fim de estimular a sua produção.
Por meio de eleição direta, com pouco mais de 1,5 milhão de votos, contra cerca de setecentos mil dados a Nilo Peçanha, Bernardes assumiu a presidência da República em 15 de novembro de 1922. O governo sofreu forte instabilidade política gerada pelas revoltas tenentistas contra as oligarquias dominantes, pelo avanço do movimento operário, pela insatisfação popular devido à inflação causada pelas emissões maciças com o objetivo de contra-arrestar a queda das exportações brasileiras de café.
Governou permanentemente em estado de sítio, medida concentradora de poderes no Executivo e responsável por suspender algumas garantias constitucionais. Uma dessas medidas repressoras foi a lei de imprensa, assinada em novembro de 1923, que dava armas legais, contra os crimes de injúria e de calúnia, e poder para controlar os meios de comunicação.
Em junho de 1925, Bernardes encaminhou ao Congresso uma proposta de revisão da Constituição de 1891, aprovada em 7 de setembro de 1926, que fortaleceu o poder executivo: o habeas-corpus teve sua extensão limitada, o poder de veto parcial foi conferido ao presidente da República e criaram-se mecanismos para expulsar do país os estrangeiros considerados “indesejáveis”, ainda com forte presença no movimento sindical brasileiro.
Em janeiro de 1927, Bernardes foi indicado ao Senado e eleito com pouco menos de 175 mil votos. Sua eleição foi contestada junto à Comissão de Poderes do Senado, e o reconhecimento de seu mandato só foi concedido no dia 25 de maio, quando, recém-chegado de Minas, tomou posse em meio a denúncias de fraude. Bernardes embarcou no dia seguinte para a Europa, regressando ao Brasil um ano e meio depois, em dezembro de 1928; começou a participar dos trabalhos do Senado em maio do ano seguinte.
O poder político de Bernardes em Minas constituía uma ameaça para os líderes tenentistas que ascenderam com a Revolução de 1930, provocando uma campanha não apenas contra o ex-presidente, mas contra o PRM que foi se esvaziando. O apoio de Bernardes à Revolução Constitucionalista valeu-lhe, em setembro, sua prisão no município de Araponga, próximo a Viçosa. Foi transferido em 1º de novembro para o forte do Vigia, no bairro carioca do Leme, a fim de aguardar o embarque para o exílio, destino de muitos outros líderes presos. Pouco antes da partida do Astúrias, quando acenava, no cais, para seus pais e irmãs, Artur Bernardes Filho foi vítima de um atentado, sofrendo ferimentos à bala. Bernardes chegou a Lisboa em fins de dezembro de 1932, para um exílio que duraria ano e meio. Em 28 de maio de 1934, Getúlio Vargas decretou a anistia para os revolucionários de 1932, o que possibilitou o retorno de Bernardes em 12 de agosto daquele ano.
A Constituinte, instalada em 15 de novembro de 1933, encerrou seus trabalhos em 16 de julho de 1934, convocando eleições em 90 dias para a legislatura federal ordinária. Bernardes assumiu o cargo de deputado federal, participando ativamente da vida política do país que vivia num clima de tensão crescente que culminou com o estabelecimento do Estado Novo.
A atividade política de Bernardes sob o Estado Novo cingiu-se a conversas privadas com antigos correligionários e articulações discretas de cunho oposicionista. Em agosto de 1942 o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália, e a maior parte das forças políticas tendeu a uma linha de união nacional para fazer face ao esforço de guerra. Bernardes mostrou-se contrário a essa linha, considerando necessário separar a união para a guerra do apoio a Vargas.
Atuou na campanha do petróleo e da criação do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN).
Faleceu no Rio de Janeiro, em 23 de março de 1955.