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15.11.1926 - 24.10.1930

Advogado, nasceu na cidade de Macaé, estado do Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1869. Foi presidente do estado de São Paulo (1920-1924) e senador pelo Partido Republicano Paulista (1925-1926). Por meio de eleição direta, passou a exercer a presidência da República em 15 de novembro de 1926. Foi deposto pela Revolução de 1930, em 24 de outubro, e cumpriu exílio na Europa e nos Estados Unidos, retornando ao Brasil em 1947. Faleceu em São Paulo, em 4 de agosto de 1957.

Durante toda a década de 1920, a República Velha sofreu um profundo desgaste devido às manifestações de oposição da classe média urbana, dos movimentos tenentista e operário e das oligarquias dissidentes. Logo no início de seu governo, chegou ao fim a Coluna Prestes, que com 620 homens, entrou em território boliviano e, posteriormente, se dissolveu. O governo de Washington Luís não estava mais ameaçado pelas rebeliões tenentistas ou pelo avanço do movimento operário, entretanto, para coibir novos movimentos de oposição, criou a Lei Celerada, em 1927, que impunha censura à imprensa e restringia o direito de reunião, levando para a clandestinidade o Partido Comunista Brasileiro, que havia sido reconhecido pelo governo no início do ano.

A crise econômica mundial de 1929, deflagrada com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 24 de outubro, foi a maior na história do capitalismo, atingindo diversos países e paralisando suas atividades econômicas. Seus efeitos no Brasil derrubaram a política de valorização do café, iniciada em 1906 com a assinatura do Convênio de Taubaté. O café, que respondia por 70% das exportações brasileiras, teve seu preço diminuído no mercado internacional. A crise do produto ameaçou a estabilidade do governo de Washington Luís, que não permitiu a nova desvalorização da moeda, pleiteada pelos cafeicultores diante do desastre na Bolsa de Nova Iorque.

Importa destacar outros aspectos macroeconômicos da política fiscal e monetária do governo Washington Luís. Em termos de política monetária, durante a vigência do padrão-ouro, o governo adotou uma posição tradicional ao buscar vincular a moeda nacional às reservas de ouro do país. Esse processo de conversibilidade, que, na prática, mantinha a moeda valorizada, foi instituído pela Caixa de Estabilização, então sob o comando do ministro da Fazenda Getúlio Vargas, futuro candidato da oposição.

Nesse contexto, havia um intenso debate entre, de um lado, os defensores da moeda valorizada e atrelada ao padrão-ouro, ligados ao Partido Republicano Paulista (PRP), e, de outro, aqueles que defendiam sua desvalorização, conhecidos como “papelistas”, geralmente vinculados ao Partido Republicano Mineiro (PRM). Essa divisão doutrinária, como vimos, agravou-se com a crise de 1929, diante da demanda pela desvalorização da moeda como forma de compensar a queda dos preços internacionais do café.

Em termos fiscais, também relacionados à política comercial, destacou-se no período a chamada “defesa permanente” do café, que, na prática, retirava dos estados a atribuição de sustentar os preços internacionais do produto por meio da compra de excedentes, transferindo à União a responsabilidade pela condução dessa política de valorização.

Ambas as decisões de política econômica influenciaram a formação da dissidência oligárquica que deu origem à Aliança Liberal, a qual defendia, entre outras pautas, a desvalorização da moeda e o apoio a outras lavouras além do café.

Além disso, é importante destacar que, os efeitos imediatos e a magnitude da crise de 1929, não foram os mesmos nos países industrializados centrais e nos países periféricos agroexportadores, como o Brasil. No caso brasileiro, não houve um ciclo generalizado de falências ou desemprego em massa, mas, sobretudo, um problema de lucratividade e de arrecadação estatal decorrente da queda dos preços do café. Desse modo, a política anticíclica no país concentrava-se mais na sustentação dos preços do produto, expressa de maneira emblemática na “queima de café” promovida pelo governo Vargas, do que na implementação de um conjunto complexo de políticas econômicas, como ocorreu no New Deal norte-americano. Isso ajuda a explicar como, mesmo diante de uma crise sistêmica, o Partido Republicano Paulista conseguiu eleger um sucessor, contando com o apoio da ampla maioria dos demais estados brasileiros.

A vitória do paulista Júlio Prestes, apoiado por Washington Luís, nas eleições presidenciais de 1º. de março de 1930, foi contestada por suspeita de fraude. O assassinato de João Pessoa, presidente da Paraíba e candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas à sucessão presidencial, em 26 de julho de 1930, foi um fato decisivo para o agravamento dos movimentos de oposição ao governo de Washington Luís, já desgastado pela crise do café. Reassumindo o governo do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas e outros políticos, como Oswaldo Aranha, deram início à conspiração política que levou ao movimento de 3 de outubro de 1930, a Revolução de 1930, como ficou conhecido o episódio. O presidente Washington Luís foi deposto em 24 de outubro, pelos chefes das forças armadas, e uma junta provisória de governo assumiu o poder, composta pelos generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e pelo almirante Isaías de Noronha.