15.11.1910 - 15.11.1914
Militar, nasceu na cidade de São Gabriel, estado do Rio Grande do Sul, em 12 de maio de 1855. Hermes da Fonseca era republicano, membro da maçonaria e sobrinho do primeiro presidente do país, Deodoro da Fonseca.
Quando seu pai seguiu para a guerra contra o Paraguai (1865-1870), Hermes da Fonseca transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro. Até então educado em casa, ingressou em 1866 no Colégio Saint Louis, mas, no mesmo ano foi expulso por indisciplina. Passou, então, a estudar no Imperial Colégio de Pedro II e no curso noturno do Liceu de Artes e Ofícios. Em 1871, obteve o bacharelado em ciências e letras, assentou praça no 1º Batalhão de Artilharia e matriculou-se na Escola Militar do Brasil, na Praia Vermelha, onde foi aluno de Benjamin Constant, um dos divulgadores da filosofia positivista no Brasil, que influenciou sua formação intelectual. Em 1876, concluiu o curso de infantaria e cavalaria, sendo promovido a segundo-tenente. Naquele mesmo ano, ingressou na Maçonaria, na Loja Ganganelli do Rio, então sob a jurisdição do Grande Oriente Unido − ao qual era ligado Joaquim Saldanha Marinho, um dos signatários do Manifesto Republicano de 1870.
Casou-se com Orsina Francioni da Fonseca, sua prima, em 1877. No ano seguinte terminou o curso de artilharia. Em fins da década de 1880, participou das articulações político-militares que resultaram, em 15 de novembro de 1889, na deposição da monarquia brasileira e na instalação do governo provisório da República.
Em 1892 assumiu o cargo de diretor do Arsenal de Guerra da Bahia, que exerceu até setembro de 1893, quando foi transferido para o comando da guarnição de Niterói. Por ocasião da Revolta da Armada – movimento sustentado por setores da Marinha contra Floriano Peixoto entre setembro de 1893 e março de 1894 −, destacou-se em Niterói, na defesa do governo que o prendera. Promovido a coronel em março de 1894, comandou até 1896 o 2° Regimento de Artilharia Montada, na capital federal. Seguiu a carreira militar, tendo sido promovido a marechal em 6 de novembro de 1906. Ministro da Guerra do governo de Afonso Pena (1906-1909), instituiu a Lei do Serviço Militar Obrigatório. Tornou-se, em 10 de dezembro de 1908, ministro do Supremo Tribunal Militar (STM), posto que acumulou com a pasta da Guerra. Em 1910, foi um dos fundadores do Partido Republicano Conservador. Por meio de eleição direta, passou a exercer a presidência da República em 15 de novembro de 1910. Com o assassinato de Pinheiro Machado, dirigente do Partido Republicano Conservador, deixou o Brasil em 1915 para residir na Europa, após pedir licença do Exército. Retornou ao país em 1920 e, em 1923, foi transferido para a reserva no posto de marechal. Faleceu na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, em 9 de setembro de 1923.
Hermes da Fonseca foi o primeiro militar eleito à presidência em um pleito nacional. Sua eleição expressou a falta de acordo entre as lideranças paulistas e mineiras, e a emergência no cenário político da aliança do Rio Grande do Sul com os militares, rompendo assim a “política do café com leite”. A influência do presidente do Senado Pinheiro Machado no governo perdurou desde a sugestão de indicação da candidatura de Hermes da Fonseca, até o fim do período presidencial. No início do governo, eclodiu a Revolta da Chibata, levante de marinheiros que se opunham ao regime de castigos físicos em vigor na Marinha. A chibata era o instrumento utilizado pelos oficiais para açoitar os marinheiros que cometiam faltas consideradas graves. Após a punição do marinheiro Marcelino Rodrigues, que recebeu 250 chibatadas, assistida por toda a tripulação do encouraçado Minas Gerais, desencadeou-se a revolta liderada por João Cândido Felisberto, que ficou conhecido como Almirante Negro. Durante esse movimento, uma esquadra composta por três encouraçados chegou a voltar seus canhões em direção à cidade do Rio de Janeiro.
Em seu governo, Hermes da Fonseca utilizou-se das tropas federais para garantir a política de intervenção nos estados, denominada “política das salvações”, apoiando os candidatos favoráveis ao governo central. Em 12 de setembro de 1912, foi deflagrada uma rebelião de caráter messiânico, na região de litígio entre os atuais estados do Paraná e Santa Catarina, conhecida como zona do Contestado. As tropas do governo do Paraná iniciaram o primeiro confronto na cidade de Irani. Entre os 23 sertanejos mortos, estava o beato José Maria, líder do movimento que pretendia fundar uma “monarquia celestial” na região. Na área sob a sua influência, não era aceita a cobrança de impostos nem permitida a propriedade da terra. Após vários conflitos armados, nos quais morreram cerca de vinte mil pessoas, a rebelião foi liquidada em 1915, já no governo de Venceslau Brás.
Em novembro de 1912 Hermes da Fonseca patrocinou a realização, no Rio de Janeiro, do IV Congresso Operário Brasileiro. Organizado pelo seu filho, o deputado Mário Hermes, o evento foi visto com desconfiança pela maioria dos líderes operários, que o associavam à corrente sindicalista defensora da cooperação com o Estado. Os 187 delegados inscritos foram transportados em navios do Lloyd Brasileiro ou tiveram passagens de trem pagas pelo governo, que também cedeu o palácio Monroe para as reuniões. Na ocasião, decidiu-se criar a Confederação Brasileira do Trabalho, tendo sido Mário Hermes eleito seu presidente de honra. Em 16 de março de 1913, o governo assistiu, na capital federal, à manifestação de cerca de dez mil pessoas contra a deportação de sindicalistas, em cumprimento à nova lei que determinava a expulsão do país de estrangeiros envolvidos em greves. Em maio, ocorreram manifestações operárias em vários estados. Em 8 de outubro, a pedido do presidente, foi decretado o estado de sítio na capital federal, na tentativa de conter a onda de greves e controlar o movimento operário. No mesmo ano, em dezembro, Hermes da Fonseca decretou o estado de sítio no Ceará, em decorrência da revolução em Juazeiro do Norte, que se originou da aliança formada entre o padre Cícero e os opositores ao governo de Franco Rabelo, indicado pelo governo federal.
Em seus dois primeiros anos de governo, Hermes da Fonseca administrou o déficit público, graças ao momento favorável vivido pela economia brasileira. O crescimento das exportações de café e borracha, entre 1909 e 1912, além da afluência de capitais estrangeiros deram ao governo margem de manobra em face do desequilíbrio orçamentário. Contudo, alterações no quadro internacional, algumas das quais conduziriam à guerra de 1914-1918, afetaram crucialmente as exportações brasileiras a partir de 1912.
Em 22 de janeiro de 1912, aconteceu o primeiro ato de censura a um filme brasileiro, A vida de João Cândido, sobre a Revolta da Chibata, do diretor Alberto Botelho. Em dezembro, o marinheiro João Cândido foi absolvido pela Justiça. Em 1913, o presidente Hermes da Fonseca casou-se com Nair de Teffé, primeira mulher caricaturista da imprensa brasileira.