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14.6.1909 - 15.11.1910

Advogado, nasceu na cidade de Campos, estado do Rio de Janeiro, em 2 de outubro de 1867, filho de Sebastião de Sousa Peçanha e de Joaquina Anália de Sá Freire. Seu pai era padeiro, e sua mãe descendia de uma família importante na política norte-fluminense. Fez os primeiros estudos em sua cidade natal e, em seguida, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, mas bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Recife em 1887. Iniciou-se na política ao se engajar nos movimentos abolicionista e republicano em Campos, onde ajudou a instalar o Partido Republicano após a fundação, em 13 de novembro de 1888, do Partido Republicano da Província do Rio de Janeiro.

Com a proclamação da República em 15 de novembro de 1889, e a convocação de eleições para a Assembleia Nacional Constituinte em 15 de novembro de 1890, candidatou-se a deputado pelo estado do Rio de Janeiro na chapa do Partido Republicano e foi eleito. Participou da elaboração da Constituição promulgada em 24 de fevereiro de 1891, bem como da eleição de Deodoro da Fonseca para presidente no dia seguinte. Quando Deodoro fechou o Congresso, em 3 de novembro de 1891, engajou-se na luta por seu afastamento e apoiou o governo de Floriano Peixoto, o vice-presidente, que assumiu o poder. Articulou-se com as principais lideranças republicanas para dar sustentação a Floriano durante a Revolta da Armada, que eclodiu em setembro de 1893 na baía de Guanabara.

Sempre na legenda Partido Republicano Fluminense (PRF) – que apareceu pela primeira vez com essa denominação em 18 de abril de 1892 – foi reeleito deputado federal nas legislaturas 1894-1896 e 1897-1899. Em 1895 casou-se com Ana de Castro Belisário Soares de Sousa, descendente de uma tradicional família fluminense. Anita, como ficou conhecida, era neta do Visconde de Santa Rita e bisneta do Barão de Muriaé e do primeiro Barão de Santa Rita.

Aliado de Alberto Torres, presidente do estado do Rio de Janeiro, fundou, com ele, em 23 de julho de 1899, o Partido Republicano do Rio de Janeiro (PRRJ). Nessa legenda, Nilo foi mais uma vez eleito deputado federal, em dezembro de 1899, para a legislatura 1900-1902. Senador pelo estado do Rio de Janeiro em 1903, renunciou ao mandato no mesmo ano para assumir o cargo de Presidente do Estado do Rio de Janeiro.

Em sua administração, voltou a política econômica para a diversificação da agricultura, sem deixar de apoiar a cafeicultura. Propôs um saneamento das finanças públicas do estado visando reduzir os gastos e ampliar a receita através de modificações no sistema tributário. Nilo promoveu também uma reforma urbana em Niterói, com o alargamento de ruas e avenidas, a reconstrução da Câmara Municipal, a organização do horto, a compra do palácio do Ingá, onde instalou a sede do governo, a inauguração do Teatro João Caetano (atual Teatro Municipal de Niterói), a criação do centro de serviços municipais, a substituição do sistema de gás pela eletrificação da cidade, a introdução do sistema de bondes elétricos e a modernização da travessia marítima. Buscou enfatizar políticas que incentivassem a implantação de indústrias e criou, em setembro de 1906, as primeiras escolas técnicas do estado. O sucesso de sua atuação à frente do governo estadual deu a Nilo Peçanha projeção nacional.

Foi eleito vice-presidente da República em 1906 e, com o falecimento de Afonso Pena, assumiu a presidência em 14 de junho de 1909.

Em 17 meses de gestão como presidente, criou o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, as Escolas de Aprendizes Artífices (EAA), dando início ao desenvolvimento do ensino técnico no país, aumentou o capital investido na indústria de 12,4% para 18,5%. Também se dedicou à resolução de problemas concernentes à abertura e à ampliação das estradas de ferro. Ele decretou a reforma dos Correios e Telégrafos, reduziu as taxas postais e construiu 1.556 quilômetros de linhas telegráficas; abriu uma linha de navegação entre o Rio de Janeiro e Lisboa; modernizou o fornecimento de luz elétrica às ruas do Rio de Janeiro, reduzindo as taxas para o consumo de energia pelo público. Iniciou as obras de saneamento da Baixada Fluminense; promoveu a desobstrução e a drenagem de rios que desembocam na baía de Guanabara; restaurou o parque da Quinta da Boa Vista; iniciou as obras da lagoa Rodrigo de Freitas e construiu o Sanatório Naval de Friburgo. Criou a Bolsa de Corretores e, ainda em 1909, determinou o pagamento antecipado das dívidas externas, quando estas só expirariam em 1911, o que representou uma posição vantajosa para a negociação de novos empréstimos. Nilo Peçanha criou também o Serviço de Proteção ao Índio, sob a direção do tenente-coronel Cândido Rondon.

Após ter passado a presidência para Hermes da Fonseca em 15 de novembro de 1910, Nilo Peçanha viajou, em 1911, para a Europa e lá permaneceu um ano. Em 1912, retornou ao Brasil já eleito senador pelo estado do Rio e escolhido presidente do Partido Republicano Conservador Fluminense (PRCF). Entre 1914 e 1917 foi novamente presidente do estado do Rio de Janeiro. Exerceu o cargo de ministro das Relações Exteriores no governo de Delfim Moreira e, em 1921, concorreu à presidência da República na legenda da Reação Republicana, sendo derrotado por Artur Bernardes. Faleceu no Rio de Janeiro, em 31 de março de 1924. Ficou marcado como o primeiro e único presidente afrodescendente do Brasil. As cidades de Nilópolis, Rio de Janeiro, e Nilo Peçanha, na Bahia, foram nomeadas em sua homenagem.