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15.11.1914 - 15.11.1918

Advogado, nasceu na cidade de São Caetano da Vargem Grande, depois chamada, em sua homenagem, de Brasópolis (MG), no dia 26 de fevereiro de 1868, filho do coronel Francisco Brás Pereira Gomes, deputado à Assembleia da província de Minas Gerais durante muitos anos, e de Isabel Pereira dos Santos.

Fez os primeiros estudos em sua cidade natal, cursou humanidades no Seminário Episcopal da capital paulista e ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, pela qual se formou em 1890. Retornando a Minas, foi nomeado promotor público em Jacuí e depois transferiu-se para Monte Santo, onde atuou também como advogado e foi intendente municipal.

Foi secretário do Interior, Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (1898-1902). Eleito deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro (1903), assumiu a presidência de Minas Gerais em 1909. Elegeu-se vice-presidente da República (1910) na chapa de Hermes da Fonseca. Por meio de eleição direta, assumiu a presidência da República em 15 de novembro de 1914. Faleceu na cidade de Itajubá, estado de Minas Gerais, em 15 de maio de 1966.

Venceslau Brás assumiu o governo federal em 15 de novembro de 1914, pouco depois da eclosão da Primeira Guerra Mundial, adotando uma austera política. Apesar da neutralidade adotada nos primeiros anos do conflito mundial, a economia brasileira sofreu os reflexos da crise financeira internacional e teve reduzida sua capacidade para importar, o que provocou um aumento da produção da indústria nacional para substituir importações. O governo adotou então uma série de medidas, como a emissão de letras do Tesouro, a redução das despesas públicas, o incentivo à implantação de siderurgias e à exploração de jazidas de carvão, e a construção de escolas profissionais para a formação de operários especializados. Criou também o Comissariado de Alimentação, encarregado de tabelar os preços dos gêneros de primeira necessidade, fiscalizar os depósitos de mercadorias, estabelecer postos de venda, fixar os preços dos fretes etc.

Para enfrentar a redução drástica das exportações brasileiras, devido à desorganização do mercado internacional provocada pelo conflito, foram queimadas três milhões de sacas de café estocadas, evitando-se assim a queda dos preços. Essa situação determinou a segunda valorização do café, entre 1917 e 1920.

O governo de Venceslau Brás multiplicou ainda os tiros de guerra, destinados à formação de reservistas para o Exército, e dotou o Arsenal de Marinha, no Rio, de novas instalações. Incentivou a adoção de concursos públicos na administração civil e, em 1º de janeiro de 1917, promulgou o novo Código CivilEm 1916, promoveu a solução da questão de limites entre Paraná e Santa Catarina na região do Contestado, onde, depois de sucessivas expedições militares, o Exército conseguiu esmagar uma revolta popular de cunho messiânico que se prolongava desde 1912.

A partir de 1917, uma série de greves gerais eclodiu nas principais cidades do país, em especial no Rio de Janeiro e São Paulo. A greve geral de 1917 dos operários de duas indústrias têxteis de São Paulo acabou abrangendo cerca de 50 mil trabalhadores da cidade, o que fez o governo mobilizar tropas e enviar dois navios de guerra para o porto de Santos, a fim de intimidar o movimento grevista. Entretanto, as sucessivas greves ocorridas entre os anos de 1917 e 1920 não trouxeram ganhos significativos para a totalidade da classe trabalhadora. Em 3 de abril de 1917, submarinos alemães torpedearam o navio Paraná, que estava próximo à costa francesa. Em represália, o governo confiscou todos os navios alemães ancorados em portos brasileiros. Após o afundamento do navio brasileiro Macau, pelos alemães, Venceslau Brás assinou, em 27 de outubro daquele ano, a declaração de estado de guerra contra a Alemanha, o que foi acompanhado por manifestações antigermânicas em todo o país.

Em seu último ano de governo, Venceslau Brás promoveu o combate à gripe espanhola. A epidemia chegou ao Brasil em setembro de 1918, quando o navio inglês “Demerara”, vindo de Lisboa, desembarcou doentes em Recife, Salvador e Rio de Janeiro. No mesmo mês, marinheiros que prestaram serviço militar em Dakar, na costa atlântica da África, desembarcaram doentes no porto de Recife. Em pouco mais de duas semanas, surgiram casos de gripe em outras cidades do Nordeste e em São Paulo.

A convite do presidente da República, Carlos Chagas, que havia assumido a direção do Instituto Oswaldo Cruz, reestruturando sua organização administrativa e de pesquisa, liderou a campanha para combater a epidemia, implementando cinco hospitais emergenciais e 27 postos de atendimento à população em diferentes pontos do Rio de Janeiro. Estima-se que entre outubro e dezembro de 1918, período oficialmente reconhecido como pandêmico, 65% da população adoeceu. Só no Rio de Janeiro, foram registradas 14.348 mortes.  Em São Paulo, outras 2.000 pessoas morreram.