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23.11.1891 - 15.11.1894

Engenheiro e militar, Floriano Vieira Peixoto nasceu no engenho Riacho Grande, no distrito de Ipioca, Maceió, Alagoas em 30 de abril de 1839, filho de Manuel Vieira de Araujo Peixoto e Ana Joaquina de Albuquerque Peixoto. De família modesta, foi entregue pelos pais ao tio e padrinho coronel José Vieira de Araujo Peixoto, rico senhor de engenho e político influente local. Em 1855 mudou-se para o Rio de Janeiro e fez o ensino secundário no Colégio São Pedro de Alcântara. Dois anos depois, assentou praça no 1º Batalhão de Soldados a Pé e, no ano seguinte, ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro. Em 1865, com a eclosão da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, Floriano Peixoto seguiu para o Sul com o 1º Batalhão de Voluntários da Pátria; no ano seguinte, já no Paraguai, foi promovido a capitão. Participou de algumas das principais batalhas na região, como as de Tuiuti, Itororó e Lomas Valentinas. Foi incorporado, ainda em 1866, ao Batalhão de Engenheiros, mesmo sem ter concluído formalmente o curso. Lá estreitou laços de amizade com o capitão republicano Benjamin Constant. Durante a guerra recebeu diversas promoções e a medalha do Mérito Militar e, em 1870, retornou à Corte como tenente-coronel. Devido à sua atuação na Guerra, foi condecorado Cavaleiro da Ordem da Rosa e Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro; recebeu as medalhas de Uruguaiana e a Geral da Campanha do Paraguai. De volta ao Brasil, submeteu-se ao exame de mineralogia, o último que faltava para completar o bacharelado em Ciências Físicas e Matemáticas e tornar-se efetivamente engenheiro. Em 1872 casou-se com a filha de seu tio e padrinho, Josina Vieira Peixoto, e tiveram sete filhos.

Já promovido a coronel (1874), assumiu a direção do Arsenal de Guerra de Pernambuco em 1879, tendo pedido exoneração dois anos depois. Foi elevado a general de brigada, em 1883, e recebeu o título de sócio do Clube Abolicionista Ceará Livre, graças às declarações que fizera em prol da libertação dos escravos – abolição que ocorreu no Ceará em 1884. Neste mesmo ano tornou-se comandante de armas e presidente da província do Mato Grosso. Entre 1884 e 1887, Floriano Peixoto serviu nas províncias da Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Mato Grosso. Foi promovido a marechal de campo em julho de 1889 e depois nomeado ajudante-general do Exército e comandante da Guarnição da Corte e da província do Rio de Janeiro. Em 15 de novembro, com o golpe republicano, os membros do governo foram cercados pelas tropas encabeçadas pelo marechal Deodoro da Fonseca. Ao contrário do esperado do cargo que ocupava, Floriano não comandou a resistência do Império, provavelmente para evitar uma guerra civil. Com sua recusa, a Monarquia teve fim, e a República foi instaurada no Brasil.

Mantido no cargo de ajudante-general do Exército, Floriano Peixoto comandou a repressão aos movimentos restauradores do regime monárquico. Em 1890 foi promovido a marechal, nomeado ministro da Guerra, substituindo Benjamin Constant e elevado a vice-chefe do governo provisório. Nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte foi eleito senador por Alagoas. Em 21 de janeiro de 1891, o marechal Deodoro da Fonseca renunciou à presidência do governo provisório em meio a uma grave crise política. Em fevereiro daquele ano, foram realizadas as primeiras eleições – indiretas – para presidente e vice-presidente no Brasil. Deodoro da Fonseca foi eleito presidente e Floriano Peixoto, que havia se candidatado presidente e vice (as eleições de ambos eram separadas), tornou-se vice-presidente. Durante o governo do marechal Deodoro da Fonseca, Floriano manteve-se discreto, mas formava uma sólida base oposicionista ao governo. Em meio à nova crise política, Deodoro dissolveu o Congresso, em 3 de novembro de 1891, e decretou estado de sítio, em uma tentativa de golpe, procurando reverter a situação difícil que enfrentava. Floriano Peixoto participava das reuniões com a oposição e planejava um contragolpe, o que ocorreu no dia 23 do mesmo mês. Deodoro esboçou alguma resistência, mas acabou renunciando à presidência no mesmo dia. O marechal Floriano Peixoto foi empossado presidente no próprio dia 23, apoiado pelo Exército (era muito popular entre o oficialato) e pelo Partido Republicano Paulista (PRP).

As primeiras medidas do novo governo foram a revogação do estado de sítio e a reabertura do Congresso. Os presidentes de estados que apoiaram a tentativa de golpe de Deodoro foram sendo derrubados pelos oposicionistas com apoio do governo federal. Iniciava-se um período bastante autoritário, o governo Floriano Peixoto, que ficou conhecido como o “marechal de ferro”.

Durante o seu mandato houve duas grandes revoltas no país: a Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul (1893-1895) e a Revolta da Armada, no Rio de Janeiro (1893-1894). Disputas pelo poder estadual do Rio Grande do Sul entre federalistas (antigos monarquistas, liberais e a favor do regime parlamentarista) e republicanos históricos levaram a conflitos armados que ficaram conhecidos pela violência extrema (a maior parte dos derrotados nas batalhas era degolada) e se espalharam pela região Sul do Brasil; resultaram na vitória dos republicanos, liderados por Júlio de Castilhos, apoiados pelo governo federal. Já a Revolta da Armada teve antecedentes em 1891, quando da tentativa de golpe do marechal Deodoro da Fonseca, que resultou na sua renúncia. Em 1893 a Marinha sublevou-se contra o governo de Floriano Peixoto, que, segundo os oficiais, era considerado ilegítimo, pois a Constituição previa que, em caso de vacância do presidente em menos de dois anos de mandato, novas eleições deveriam ser convocadas. O governo de Floriano era acusado de ditatorial e centralizador e de estimular uma guerra civil no Sul do Brasil; além disso, a Marinha sentia-se desprestigiada no governo republicano em relação ao Exército. O levante teve a liderança do contra-almirante Custódio de Melo, que havia sido ministro da Marinha e da Guerra no governo Floriano e aspirava a candidatar-se à presidência da República. O conflito eclodiu em 6 de setembro de 1893, na baía da Guanabara e no litoral fluminense, tendo sido bombardeadas a capital e a cidade de Niterói; dias depois foi decretado estado de sítio nessas duas cidades, dada a gravidade dos ataques. A repressão de Floriano Peixoto, endossada pelo Congresso, foi muito violenta e o conflito só foi resolvido no mandato do presidente seguinte, Prudente de Moraes (1894).

No plano econômico, o período de Floriano na presidência não conseguiu avançar muito, devido às heranças do governo Deodoro da Fonseca: o Encilhamento, a especulação financeira, a alta inflação e problemas no setor agrícola. A instabilidade política também não colaborava, e a repressão às revoltas consumia recursos do governo, apesar de sua ampla base de sustentação, de militares, republicanos históricos, camadas médias urbanas, além da aliança com os partidos republicanos paulista, mineiro e gaúcho.

Nesse período, foram organizadas, regulamentadas ou reformadas algumas instituições nascidas com o novo regime, nas áreas da saúde e da educação, tais como a Diretoria Sanitária na capital federal e o Pedagogium, voltado ao ensino profissional. Foi, ainda, estabelecida a transferência para a União da administração do ensino secundário, anteriormente integrada à Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária da Capital Federal, marcando uma das faces do regime republicano, de ênfase em um projeto pedagógico público e laico.

Ainda durante o governo, a saúde de Floriano Peixoto esteve frágil. Terminado o mandato em 15 de novembro de 1894, ele abandonou a política e recolheu-se a uma fazenda no distrito de Divisa, em Barra Mansa, onde faleceu no dia 29 de junho de 1895.