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15.11.1898 - 15.11.1902

Advogado, Manuel Ferraz de Campos Sales nasceu em Campinas (SP) em 13 de fevereiro de 1841, filho de Francisco de Paula Sales e Ana Cândida Ferraz, ambos de tradicionais famílias de proprietários rurais de São Paulo. Aos 15 anos, mudou-se para a capital do estado para fazer os estudos preparatórios e ingressar na Faculdade de Direito (1859), onde teve os primeiros contatos com o republicanismo. Formou-se em 1863 e retornou a Campinas, onde passou a exercer a advocacia. Em 1867 deu início à carreira política, filiado ao partido liberal, tendo sido eleito para a Assembleia provincial.

Em 1872, foi eleito vereador em Campinas e participou, no ano seguinte, da fundação do Partido Republicano Paulista (PRP), tendo sido muito atuante na campanha republicana. Na década de 1870, elegeu-se mais uma vez para a vereança de Campinas, com apoio dos republicanos. Para Campos Sales, a transição entre os regimes monarquista e republicano deveria ser conduzida de forma moderada, sem revoluções ou guerras civis, o que revela que era, sobretudo, um conservador. Na década de 1880 elegeu-se duas vezes para a Assembleia provincial (1882-1883 e 1888-1889) e uma vez para a Assembleia Geral, em 1885. Embora fosse defensor do fim da escravidão, como a maior parte dos republicanos históricos, Campos Sales era a favor de uma transição lenta e gradual para o trabalho livre, pois via com preocupação, dada sua posição social e econômica, o problema da falta de braços na agricultura. Já próximo de 1888, passou a defender a libertação imediata e incondicional de todos os escravizados. No ano seguinte, à frente da comissão central do PRP, teve papel importante na articulação de civis e militares que apoiaram a queda da monarquia e a ascensão da república.

Após a proclamação, instalado o governo provisório encabeçado pelo marechal Deodoro da Fonseca, Campos Sales foi nomeado ministro da Justiça. Suas primeiras e principais medidas para o estabelecimento de um Estado republicano laico no Brasil foram a determinação do casamento civil e a secularização dos cemitérios (ambos da alçada da Igreja durante o regime monárquico). Ainda promoveu uma nova estrutura para o Poder Judiciário, com sistema dual de Justiça, composto por órgãos federais e estaduais; a reforma do código penal; e determinou a elaboração de um novo código civil para o país, que só viria a ser sancionado em 1916.

Em 1890, Campos Sales foi eleito senador para a Assembleia Constituinte; em 1895, foi lançado pelo PRP como candidato a presidente de São Paulo, tendo sido eleito. Iniciou seu mandato em 1896 – sua pauta defendia o incremento à agricultura, à imigração europeia e à instrução pública. Em seu governo enfrentou uma epidemia de febre amarela no estado, conflitos na colônia italiana da capital e ainda enviou tropas estaduais para a Guerra de Canudos. No ano seguinte já vinha se articulando, no partido republicano, para a escolha de Campos Sales para a sucessão de Prudente de Morais na presidência da República. Nas eleições de 1º de março de 1898, obteve uma vitória esmagadora contra o florianista Lauro Sodré. A eleição de Campos Sales expressou o triunfo da oligarquia cafeeira paulista.

Em 15 de novembro de 1898, Campos Sales assumiu a presidência e orientou seu governo para tratar majoritariamente de duas grandes questões: a estabilização financeira do país e o estabelecimento de um acordo político que pudesse conter a oposição, composta principalmente por militares florianistas e republicanos radicais. Estando o país mais “pacificado”, em termos de revoltas e sublevações, o governo de Campos Sales voltou-se para as questões internas da jovem República. No aspecto econômico, promoveu uma tentativa de reestabilização das finanças nacionais, ainda severamente em crise desde o Encilhamento no governo de Deodoro da Fonseca. O governo de Campos Sales ficou marcado pela adoção de medidas econômicas de combate à inflação e de austeridade fiscal, o que levou ao aumento de impostos e cortes nos gastos com infraestrutura, investimentos internos, funcionalismo público e despesas do governo. Também ficou marcado pela negociação com banqueiros britânicos de um funding loan, um empréstimo de consolidação no valor de 10 milhões de libras, que representou a renegociação da dívida externa brasileira, com suspensão do pagamento de juros e extensão do prazo de quitação, por meio de garantias oferecidas.

Outro ponto importante do governo de Campos Sales foi o que se convencionou chamar de “política dos estados” ou “política dos governadores”, que consistia em apoiar os grupos dominantes aliados ao governo federal em cada estado e nos municípios. Esse apoio estava condicionado à garantia de eleição, para o Congresso, de candidatos que defendessem o governo central, no que se refere às políticas nacionais, visto que Campos Sales instituiu a Comissão de Verificação pela qual os grupos politicamente dominantes validavam ou não o resultado de uma eleição. Essa política criava uma grande rede de poder que envolvia as lideranças locais, estaduais e o governo federal para garantir a governabilidade e a estabilidade do sistema político, além de dar suporte às políticas econômicas. Representou, na prática, o enfraquecimento das oposições, muitas fraudes eleitorais, graças ao voto aberto e ao controle político das oligarquias, sobretudo a paulista, pelo Brasil.

Durante o governo de Campos Sales, também ficou decidida a Questão do Amapá, que envolvia as fronteiras entre a Guiana Francesa e o Brasil no extremo norte. A França havia invadido parte do território do Amapá, reclamando posse, e a questão foi arbitrada pela Suíça a favor do Brasil em 1900. Manteve-se o território do país intacto na região Norte. Campos Sales criou ainda o Instituto de Manguinhos, voltado, entre outras atribuições, para a fabricação de vacinas contra a peste bubônica. O Brasil contava, em 1900, com 17.318.554 habitantes, dos quais 64% viviam no campo.

Em 1901, iniciou-se o movimento de escolha de um sucessor para Campos Sales e o nome de Rodrigues Alves despontou como favorito (era ex-ministro da Fazenda de Prudente de Morais e então presidente de São Paulo). O governo de Campos Sales terminou em novembro de 1902 e foi considerado muito impopular, sobretudo entre as camadas mais pobres da população, devido à austeridade econômica e à recessão do país. Depois da presidência, Campos Sales voltou para a sua fazenda no interior de São Paulo. Em 1909, retornou ao Senado, e em 1912 foi ministro plenipotenciário do Brasil na Argentina. Casado com Ana Gabriela de Campos Sales, teve importante obra política publicada: Da propaganda à presidência, de 1908. Morreu em Santos em 28 de junho de 1913.