Advogado formado pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1906, Júlio Prestes nasceu na cidade de Itapetininga/SP em 15 de março de 1882, em um ambiente político. Seu pai, o coronel Fernando Prestes de Albuquerque, foi presidente do estado de São Paulo de 1898 a 1900 e vice-presidente de 1908 a 1912 e de 1924 a 1927, filiado ao Partido Republicano Paulista (PRP).
Exerceu a advocacia por três anos e iniciou sua carreira política como deputado estadual, eleito em 1909 pelo PRP, legenda pela qual foi reeleito por mais quatro legislaturas até 1923, quando presidiu a Comissão de Finanças da Câmara paulista.
No ano seguinte foi eleito, ainda na legenda do PRP, deputado federal pelo estado de São Paulo, sendo escolhido líder da bancada paulista na Câmara Federal. Com a eclosão do movimento tenentista em São Paulo em julho de 1924, tomou posição radicalmente contrária à insurreição, solidarizando-se com as forças governistas. Juntamente com seu pai, vice-presidente de São Paulo, Washington Luís e Ataliba Leonel, organizou a defesa da região do ramal de Itararé (SP) contra os revoltosos, constituindo corpos militares voluntários conhecidos como “batalhões patrióticos”.
Prestes tomou posse como deputado federal por seu estado em 14 de julho de 1927. Durante seu governo, reorganizou o Instituto de Defesa Agrícola e Animal, criou a Secretaria de Viação e Obras Públicas, realizou obras de aproveitamento da represa de Santo Amaro para o abastecimento de água à capital paulista e obteve aprovação de contratos com banqueiros de Londres e Nova Iorque para empréstimos destinados à realização de obras na estrada de ferro Sorocabana. Encaminhou, ainda, à Câmara estadual, onde foram aprovados, o Código de Processo Civil e Comercial e a reforma judiciária do estado.
Júlio Prestes teve seu nome lançado à sucessão presidencial por Washington Luís, seu amigo, numa época de crise econômica e tensão social, com os cafeicultores expressando forte oposição à política econômica que mantinha a moeda brasileira a uma taxa fixa de câmbio, que fazia decrescer a receita das exportações devido à queda dos preços do café no mercado internacional.
A vitória de Prestes, em 1º de março de 1930, com 1.091.709 votos, contra Getúlio Vargas, candidato da coligação Aliança Liberal, gerou violentos protestos da oposição e denúncias de irregularidades. O inconformismo fomentou a conspiração revolucionária: a articulação dos grupos derrotados nas eleições com os “tenentes” que participaram dos movimentos de 1922 e 1924, eclodiu, em 3 de outubro, a revolução em diversos pontos do país, o que impediu a posse de Júlio Prestes como presidente da República, pondo fim ao período conhecido como República Velha.
Após seu exílio na Europa, Prestes retornou ao Brasil em 1934, fixando-se em sua fazenda de Itapetininga e dedicando-se ao cultivo do algodão.
Retomou suas atividades políticas em 1942, fundando a União Democrática Nacional (UDN) e apoiando o lançamento da candidatura de Eduardo Gomes à presidência da República em abril de 1945.
Em paralelo à sua atuação como político, Júlio Prestes escreveu livros, discursos e participou da redação da revista Musa com René Thiollier.
Faleceu em São Paulo, em 9 de fevereiro de 1946.