24.10.1930 – 03.11.1930
Com a eclosão do movimento revolucionário de 1930, a junta governativa composta pelos generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e pelo almirante Isaías de Noronha depôs o presidente Washington Luís e assumiu o controle do país. Em meio às pressões de manifestações populares e dos movimentos militares, como o de Minas Gerais, revolucionários gaúchos chegam ao Rio de Janeiro, obrigando a junta a entregar a chefia do governo a Getúlio Vargas em 3 de novembro de 1930.
Após a eleição de 1930, houve uma mudança da atitude da oposição em relação à ordem política estabelecida. De forma geral, consolidou-se uma aliança, mais ou menos formalizada, entre os tenentes militares e os chamados “tenentes civis”, que passaram da acomodação com o governo recém-eleito de Júlio Prestes para a tomada do poder por vias armadas. O levante militar conseguiu tomar e mobilizar tropas em dois polos do país: nos estados do sul, com a coluna rebelde pronta para travar combate contra as tropas paulistas na fronteira com o Paraná; e nos estados do norte, onde as tropas da Paraíba, lideradas por Juarez Távora, conseguiram a colaboração do exército estadual pernambucano e partiram em direção à Bahia.
Com a guerra civil já deflagrada e a crescente agitação popular, inclusive na capital federal, parte da elite política e militar via na deposição do governo de Júlio Prestes uma forma de estancar a crise político-social já em curso. Nesse contexto, figuras-chave do exército e da marinha, como os futuros membros da Junta Governativa, começaram a articulação para a deposição, por meio de um golpe, do governo constituído. Formou-se, assim, no Forte de Copacabana, o núcleo para a transição de poder. Ao saber da notícia, Júlio Prestes pretendeu resistir à tentativa golpista, mesmo sem contar com o apoio de qualquer força de segurança. Isolado e com as manifestações populares na capital cada vez mais favoráveis aos revoltosos da Aliança Liberal, o presidente eleito foi convencido pelo cardeal do Rio de Janeiro, Sebastião Leme, a renunciar, mediante a garantia de sua segurança e da de seus familiares. Assim, Júlio Prestes foi escoltado até o Forte de Copacabana e, de lá, partiu para o exílio na Europa.
De início, a Junta Governativa não pretendia entregar o poder aos revoltosos da Aliança Liberal. Em certo sentido, especula-se que havia a intenção de estabelecer um regime militar. As primeiras medidas da Junta expressam justamente a tentativa de estabilização e consolidação do poder, como o afastamento de alguns oficiais do exército, a dispensa dos reservistas convocados por Júlio Prestes e a indicação de nomes-chave para os ministérios e para as interventorias nos estados. Logo ficou claro que à Junta Governativa faltava a legitimidade política e popular que os revoltosos de 1930 possuíam. Dessa maneira, negociando com figuras-chave da Aliança Liberal, como Oswaldo Aranha, orquestrou-se a passagem do poder para o candidato da oposição, Getúlio Vargas.
Os membros da Junta Governativa expressavam o caminho institucional e corporativo de parte importante do alto oficialato da Segunda República. Eram de famílias militares tradicionais e mantinham relação com o poder civil, ocupando cargos importantes nas respectivas forças, bem como no governo. Em certo sentido, contrastavam com o baixo oficialato representado pelos tenentes, marcado pela insubordinação e por um ativismo político explícito. A tentativa de estabelecer o poder entre a antiga ordem civil das oligarquias e a nova ordem dos tenentes civis e militares talvez seja baseada, justamente, no corporativismo de elite do alto oficialato, distante tanto dos civis quanto dos revoltosos na mesma medida.
Augusto Tasso Fragoso. Militar, nasceu na cidade de São Luís, estado do Maranhão, em 28 de agosto de 1869. Participou do movimento militar da Proclamação da República, sendo aluno do republicano e positivista histórico Benjamin Constant. Tornou-se general em 1918, e ocupou o cargo de Chefe do Estado Maior do Exército de 1922 até 1929. Faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de setembro de 1945.
João de Deus Mena Barreto. Militar, nasceu na cidade de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul, em 30 de julho de 1874. De família militar, seguiu carreira no exército, destacando-se como comandante do Forte de Copacabana na repressão à revolta tenentista de 1922. Além disso, teve papel importante no controle da revolta de oficiais em Manaus, ganhando a alcunha de “Pacificador da Amazônia”. Foi inspetor do primeiro grupo da região militar e presidente do Clube Militar. Faleceu no Rio de Janeiro, em 25 de março de 1933.
José Isaías de Noronha. Militar, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 6 de julho de 1873. De família ligada à Marinha, era sobrinho de Júlio César de Noronha, ministro da marinha de 1902 a 1906. Tornou-se almirante nos anos 1920. Faleceu no Rio de Janeiro, em 29 de janeiro de 1963.