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Dilma Roussef

Área de Identificação
Tipo de entidade: Pessoa
Forma autorizada do nome: Rousseff, Dilma Vana
Outra(s) forma(s) do nome: Dilma Rousseff
Área de Descrição
Datas de existência: 1947-
Historia:

Economista, nasceu em Belo Horizonte, estado de Minas Gerais, em 14 de dezembro de 1947. Em 1964, ingressou no ensino médio no Colégio Estadual Central (atual Escola Estadual Governador Milton Campos). Aos 16 anos, iniciou sua militância política, integrando organizações de combate ao regime militar. Militava nos quadros da Vanguarda Popular Revolucionária (VAR-Palmares) quando, em 1969, foi presa em São Paulo pela Operação Bandeirante (Oban) e submetida à tortura, tendo cumprido pena no presídio Tiradentes até 1972. Mudou-se no ano seguinte para Porto Alegre, onde retomou, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o curso de economia. Com a abertura política, dedicou-se à campanha pela Anistia e, em 1979, participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), no Rio Grande do Sul. Trabalhou na assessoria da bancada estadual do partido (1980-1985) e, entre 1986 e 1988, foi secretária municipal de Fazenda de Porto Alegre. Em 1989, foi nomeada diretora-geral da Câmara Municipal de Porto Alegre, ano em que também participou da campanha de Leonel Brizola ao Palácio do Planalto, na primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar. No segundo turno, apoiou o então candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva. Presidiu a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (1991-1993) e, em seguida, ocupou o cargo de secretária estadual de Minas, Energia e Comunicações, no governo de Alceu Collares (PDT), retornando ao posto no governo Olívio Dutra (1999-2002), do PT. Ainda em 1998, iniciou o doutorado em Economia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mas, já envolvida na campanha sucessória do governo gaúcho, não chegou a defender a tese.

Filiada ao PT desde 2000, participou da equipe de transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, e assumiu, em 2003, o Ministério das Minas e Energia do novo governo, quando empreendeu a reformulação do marco regulatório do setor elétrico e criou o programa Luz para Todos. Em 2005, tornou-se ministra-chefe da Casa Civil, cabendo-lhe, a partir de 2007, a gestão de programas estratégicos, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e o programa Minha Casa Minha Vida. Sua candidatura à presidência da República pela coligação “Para o Brasil Seguir Mudando” foi oficializada em junho de 2010, tendo como vice o presidente do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP).

Dilma venceu o segundo turno das eleições e se tornou a primeira mulher a ocupar a Presidência do Brasil, alcançando 56,05% dos votos — cerca de 56 milhões. Em seu discurso de posse, a presidenta Dilma estabeleceu como prioridades a erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos os brasileiros. Comprometeu-se com a educação de qualidade, o aprimoramento da saúde pública e a garantia de segurança pública, considerados por ela fundamentais. Seu mandato teve início em um cenário de crescimento econômico impulsionado pelo consumo interno e pela redução de impostos.

Logo no primeiro ano de governo, Dilma Rousseff demitiu sete ministros — seis por denúncias de corrupção — atitude que ficou conhecida como “faxina ética” e contribuiu para sua aprovação recorde de 59% em 2011. Nesse mesmo período, lançou o programa Brasil Sem Miséria, continuação do Bolsa Família, com foco na retirada de 16 milhões de pessoas da extrema pobreza, e tornou-se a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU. Também recebeu líderes internacionais, incluindo o presidente dos EUA, Barack Obama, e realizou viagens a países da América do Sul, África e Europa.

Na área da educação, seu governo ampliou programas como ProUni, Fies e criou o Pronatec. Em 2012, sancionou a Lei 12.711, que estabeleceu cotas em instituições federais de ensino para alunos de escolas públicas, negros, pardos e indígenas. No mesmo ano, aprovou a Lei de Acesso à Informação, reforçando a transparência estatal.

Dilma inicialmente se beneficiou do capital político de Lula no Congresso, mas enfrentou crescente oposição parlamentar com o passar do tempo, dificultando a aprovação de projetos. A economia também começou a enfraquecer: após crescer 7,5% em 2010, o PIB subiu apenas 2,7% em 2011. Apesar disso, o desemprego permaneceu baixo (5%). A situação piorou no decorrer do mandato, culminando no déficit de R$ 32,5 bilhões em 2014 — o primeiro desde 2002.

Os protestos de junho de 2013, inicialmente sobre tarifas de transporte, ampliaram-se para críticas aos serviços públicos, corrupção e gastos com a Copa de 2014, afetando fortemente o governo. No mesmo ano, veio à tona que Dilma e assessores haviam sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, revelação feita por documentos entregues por Edward Snowden.

Apesar das tensões, o governo lançou políticas de impacto social, como o Mais Médicos, voltado a suprir a carência de profissionais em regiões vulneráveis. O programa chegou a 18.240 médicos atendendo 48 milhões de pessoas em 4.058 municípios e 34 distritos indígenas, ampliando o acesso à saúde e reduzindo internações evitáveis.

Outras iniciativas incluíram obras de mobilidade urbana no PAC Mobilidade, expansão do Cidades Digitais, saneamento, moradias do Minha Casa Minha Vida e a lei que destinou 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde, ampliando investimentos nesses setores.

Em 2014, a Copa do Mundo ocorreu sem grandes problemas, apesar das críticas aos gastos públicos e às reformas dos estádios, como o Maracanã. No mesmo ano, Dilma venceu a disputa presidencial contra Aécio Neves por margem apertada (51,6% a 48,3%).

Ainda em 2014, foi concluído o relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que investigou violações de direitos humanos no Brasil entre 1946 e 1988. Dilma emocionou-se na cerimônia, destacando a importância da verdade histórica para a democracia.

Em seu segundo mandato, tomado por forte crise econômica e política, Dilma assumiu propondo reforma política, combate à corrupção e grandes investimentos em educação, assumindo o lema “Brasil: Pátria Educadora”. Porém, enfrentou agravamento da inflação, queda no PIB, desvalorização cambial e dificuldades no Congresso. A nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda simbolizou a tentativa de ajuste fiscal, que gerou medidas impopulares, como cortes em programas educacionais (Fies e ProUni) e redução de orçamentos ministeriais. As mudanças não impediram a deterioração econômica, e a popularidade da presidente caiu drasticamente.

A Operação Lava Jato, iniciada em 2014, intensificou a crise política, com prisões de empresários, executivos e figuras importantes do PT, como João Vaccari Neto. Em 2015, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, rompeu com o governo, elevando o conflito político. No mesmo ano, o TCU recomendou a rejeição das contas de 2014, alegando “pedaladas fiscais” — argumento que embasaria o pedido de impeachment aceito por Cunha em dezembro de 2015.

A relação com Michel Temer deteriorou-se ainda mais quando ele enviou uma carta afirmando ser tratado como “vice decorativo”. Em 2016, o PMDB rompeu com o governo, deixando Dilma isolada. A crise se aprofundou graças à baixa aprovação (8%), protestos massivos pedindo sua saída e a atuação de setores da imprensa brasileira. Estes divulgavam majoritariamente os problemas do governo, noticiavam as acusações e prisões da Lava Jato exaltando a atuação do então juiz Sergio Moro e destacavam as manifestações que pediam a saída de Dilma e do PT do poder. Em 17 de abril de 2016, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou por 376 votos contra 137 o prosseguimento do processo para o Senado Federal, que aceitou sua abertura, afastando Dilma por 180 dias.

No julgamento final, Dilma compareceu ao Senado, afirmou ser vítima de um golpe e negou ter cometido crimes. Em 31 de agosto de 2016, o Senado aprovou sua destituição, mas manteve seus direitos políticos. Posteriormente, uma liminar ao STF foi negada por Teori Zavascki. Em 2023, o TRF-1 a inocentou das pedaladas fiscais, o que reforça o discurso de que o impeachment foi, na verdade, um golpe parlamentar contra o seu governo, em um grande acordo nacional para estancar a operação Lava Jato, como confirmam os diálogos vazados com o empresário Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, em que o senador Romero Jucá diz: “É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo. Com tudo, aí parava tudo”. Naquele ano, Dilma assumiu a presidência do Banco do Brics.

Área de Relacionamento
Área de Acesso
Ocupação: presidente da República
Nota: 01.01.2011 a 31.08.2016
Área de Controle
Identificador do registro de autoridade: Dado não disponível
Manutenção da entidade custodiadora: Arquivo Nacional (Brasil) - Sede
Identificador da entidade custodiadora: BR RJANRIO
Status: Final
Nível de detalhamento: Parcial
Localização dos acervos

Sem Acervo Cadastrado

 
Sites associados

http://dibrarq.arquivonacional.gov.br/index.php/rousseff-dilma-vana

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